Independente da modalidade, um atleta aprende, desde o início da carreira, que para ter sucesso na profissão é necessário superar limites, sejam eles físicos ou psicológicos.
Mas para pessoas como o cambeense Jeferson Amaro, essa lição serviu primeiro para a vida e somente anos depois fez sentido também no esporte. Com 23 anos, ele se dedica exclusivamente à natação, modalidade que pode levá-lo às Paraolimpíadas de Londres neste ano.
A amputação da perna e braço esquerdos foi resultado de uma brincadeira perigosa em 2003, quando o então adolescente caiu de um trem em movimento e foi atropelado pelo mesmo. O jovem lembra que nessa época não tinha qualquer pretensão de ser uma atleta profissional, muito menos da natação, já que seu esporte favorito era o skate. ''No máximo queria participar de um campeonato ou outro de skate. Imaginava que quando fosse adulto teria um emprego comum, nada como ser atleta'', conta.
A natação surgiu por acaso, dois anos depois do acidente, quando as sessões de fisioterapia já não tinham muito mais a contribuir na reabilitação. A prótese que passou a usar na perna exigia mais força e, nesse sentido, ele diz que a natação foi importante.
Surpreendentemente, Amaro não teve grandes dificuldades na água e antes mesmo de ir para as piscinas testou isso dando um grande susto na família. ''Eu já sabia nadar e um dia estava em uma chácara com a família, onde toda a molecada nadava em um lago, mas minha mãe não me deixava entrar. Até que uma hora eu resolvi entrar e ali mesmo vi que ia conseguir''.
Em três anos, o esporte já mudara muita coisa na vida do jovem cambeense que foi deixando o lamento sobre sua condição para alimentar pensamentos mais positivos e concluir que a situação dele não era a pior comparada a de outras pessoas. Em 2008, então, ele teve a certeza de que nadando poderia chegar ainda mais longe, quando participou, pela primeira vez, do Circuito Loterias Caixa Paraolímpico. ''Meu técnico era um cara chamado Eric Robim e lembro que ele falou que eu precisava me dedicar para chegar onde queria. Acabei conquistando o índice para a etapa nacional e só não fui por falta de condições financeiras. Mas a partir daí passei a levar o esporte mais a sério'', relembra.
E com muita dedicação não demorou para que o talento do para-atleta fosse reconhecido. Em 2009, ele foi convocado pela seleção brasileira e desde então só vem conquistando mais vitórias, como os resultados no ParaPan do México, no ano passado, quando ele conquistou o índice olímpico nos 50 metros borboleta (35s63) e 100 metros costas (1min27s25).
Agora, Amaro vive a expectativa de fazer uma boa participação na etapa nacional do circuito paraolímpico da Caixa, ratificar as marcas olímpicas e garantir presença na seleção que vai a Londres. A competição brasileira será em São Paulo, entre os dias 15 e 18 de junho. ''Não tem como explicar, é um feito muito grande, às vezes dá um gás, mas a medida que chega mais perto também bate a ansiedade. Só na hora pra saber mesmo, tenho que nadar como se já estivesse nas olimpíadas'', declara. ''Ele tem grandes chances de compor a equipe nacional e agora precisa fazer um treinamento bem focado para dar aquela polida final'', afirma o técnico Marcos Rojo, que coordena a preparação do atleta à distância, de Bragança Paulista.
Independente dos resultados que podem vir pela frente, o nadador, que já pode se considerar um vitorioso, se mostra feliz pelo que já conquistou em pouco tempo. Claro que pretende crescer profissionalmente, mas diz que não tem do que reclamar. Com a bolsa-atleta que recebe do governo federal, consegue manter gastos de atleta, como suplementos e alimentação diferenciada, além de dar uma força no orçamento de casa. ''Graças a Deus consigo ajudar meus pais. Quando sofri o acidente me lamentava muito por eles, pela dor deles. Minha mãe chegou a ter que parar de trabalhar para cuidar de mim. O esporte foi também uma forma de retribuir aos meus pais''.
Além da bolsa atleta que recebe, Amaro, que faz parte da equipe Esporte Atitude, conta com o patrocínio da Grande Londrina e apoio do Iate Clube e das academias Action e Gustavo Borges.

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