Com 2 ouros, natação vê brilho de Thiago e Nicolas
Rio - Ganhar duas medalhas de ouro de cara, logo no primeiro dia das provas de natação, deu a confiança que Thiago Pereira queria para seguir em seu desafio de nadar oito provas no Pan do Rio (incluindo as eliminatórias do 4 x 100 m livre). Ontem, o nadador deixou a piscina do Parque Aquático Maria Lenk com os títulos dos 400m medley e do revezamento 4 x 200 m livre, prova que ainda teve Rodrigo Castro, Lucas Salatta e Nicolas de Oliveira - um garoto de 19 anos, que treina e estuda na Universidade de Arizona (EUA), a quem coube ultrapassar o norte-americano Robert Margalis nos últimos 200 metros.
As duas vitórias incluíram recordes sul-americanos e pan-americanos. Hoje, Thiago, 21 anos, volta à piscina nas semifinais dos 200 m costas. Ele venceu os 400 m medley com 4min11s14 e muita superioridade - meia piscina de vantagem - à frente do norte-americano Robert Margalis (4min17s52) e do canadense Keith Beavers (4min19s01). E baixou seu próprio recorde sul-americano, que era de 4min11s91, e o da competição, de 4min15s52, que era do canadense Curtis Myden desde o Pan-Americano de Winnipeg, em 1999.
Em Santo Domingo, em 2003, Margalis havia ganho o ouro e Thiago, então um estreante, levou o bronze na mesma prova.
Thiago ainda ajudou o Brasil a conquistar um inédito ouro no revezamento 4 x 200 m livre. Os meninos brasileiros pulverizaram o recorde sul-americano que o time havia obtido no Mundial de Melbourne, em março, com o tempo de 7min12s27 (era de 7min20s00) e também baixaram o recorde pan-americano, que era de Santo Domingo, em 2003, e pertencia aos Estados Unidos (7min18s93). A marca corresponde ao quarto tempo do mundo. Os Estados Unidos levaram a prata (7min15s00) e o Canadá o bronze (7min17s73).
''Não poderia ter sido uma estréia melhor, com duas medalhas de ouro e recordes. Isso quebrou a tensão e deu confiança para o restante do Pan'', disse Thiago, assegurando que ganhar com a turma do revezamento foi mais divertido. ''Eu gosto de nadar o revezamento. É bom dividir a prova.''
Rodrigo Castro definiu: ''O grupo arregaçou o recorde sul-americano em sete e meio segundos''. E elogiou a participação do público. Com a seleção desde 1997, disse que nunca viu uma torcida tão envolvida. ''Nós nadamos com cinco'', referiu-se às arquibancadas.
Se Castro é veterano, o time tem o novato Nicolas de Oliveira, que em seu primeiro Pan foi o destaque do revezamento. Quando Lucas Salatta, o terceiro nadador da equipe, caiu na água, a vantagem americana era de 0,49 segundos. Ele entregou com 0,21 segundos atrás e coube a Nicolas a ultrapassagem. ''Meu primeiro Pan, fechando o revezamento, nadando ao lado dos Estados Unidos com essa pancada de gente vendo, fiquei nervoso. Mas estou superfeliz agora. O time está de parabéns por ter baixado esse tempo todo.''
Thiago nem terá tempo para comemorar os dois ouros. E evita, a todo custo, prometer mais medalhas. Desde que machucou o joelho em 2005 e perdeu o Mundial naquela temporada - ''futebol agora é só para quando eu me aposentar'' -, comentou que aprendeu e prefere manter o foco no que está fazendo. ''Ainda tenho cinco provas difíceis, a próxima é a semifinal dos 200 m costas. Eu prefiro deixar rolar, pensar num desafio de cada vez''.
Thiago ainda vai nadar 200 m e 100 costas, 200 m medley, 200 m peito e revezamento 4 x 100 m medley, além das eliminatórias dos 4 x 100 m livre. A estrela da natação brasileira também elogiou Nicolas, ''que ganhou o revezamento para a gente''.
Meninas - Joanna Maranhão foi quarta colocada nos 400 m medley (4min47s46), mas garantiu que não ficou frustrada. ''Ainda tem mais quatro seletivas para Pequim e acho que esse índice sai. Estou feliz com o resultado porque já fazia dois anos e meio que eu não nadava abaixo de 4min50s.'' O ouro na distância ficou com a norte-americana Kathleen Hersey (4min44s08). (Agência Estado)





