Esporte Atualizado em 08/05/2017, 19:21
COLUNA DO PVC
O time mais caro do país disputou 18 partidas neste ano e não venceu seis. De cada três, não ganha uma
O time mais caro não é, necessariamente, o melhor. Se você duvida, o jogo Ponte Preta 3 x 0 Palmeiras confirma isso. É simplista dizer que a Ponte entrou ligada e o Palmeiras desligado. Só serve como explicação parcial se juntar à estratégia definida pela equipe de Campinas.
Gilson Kleina não tinha o lateral-direito titular, Nino Paraíba, machucado. Escalou Jéferson e escalou o meia Jádson por dentro, para abrir o corredor que Dudu deixaria livre, sem marcar de maneira suficiente.
Não marcou mesmo.
Aos 37 segundos, a bola roubada virou contra-ataque até o chute de Jádson. No segundo rebote de Fernando Prass, sobrou espaço para Jéferson finalizar. William Pottker fez 1 x 0.
O lado direito seguiu sendo a melhor opção. A Ponte Preta tinha duas linhas de quatro homens, com Pottker voltando para fazer o pivô e Lucca infiltrando-se em diagonal. Pottker é finalizador, mas não é só isso.
Veio ainda o terceiro gol, de Jéferson, usando o mesmo espaço sem marcação, depois do escorregão de Zé Roberto.
Na Ponte, atenção a Clayson, o segundo atacante, número 7. E Fernando Bob.
Volante revelado pelo Fluminense e com passagem recente pelo Internacional, Bob foi ontem o melhor em campo. Maior número de desarmes e de passes certos. Acertou 59 e só errou um.
A expressão "Chocolate", para definir uma vitória fácil, surgiu num domingo de Páscoa de 1981, quando o Vasco goleou o Internacional por 4 x 0, menos de dois anos depois de perder o título brasileiro para o clube gaúcho. O comentarista Washington Rodrigues colocou no ar a canção cubana "El Bodeguero" e seu refrão: "Toma chocolate, paga lo que debe."
No caso do Palmeiras, há dívida a pagar. Ontem, foi o quinto jogo consecutivo sem vencer a Ponte. O rival da semifinal é também o único capaz de vencer duas vezes no Allianz Parque também empatou uma.
Neste cenário, será difícil para o Palmeiras virar o segundo jogo no Allianz Parque. O maior investimento, o elenco mais caro e mais forte do Brasil... tudo isso continua sendo verdade.
Mas a semana que se encerrou com o Palmeiras vencendo o Peñarol por 3 x 2, com gol aos 55 minutos do segundo tempo, e com derrota em Campinas, o indício é que há muito trabalho para transformá-lo no melhor time.
Menospreza-se a dificuldade para vencer o estadual de São Paulo, que só teve os quatro grandes nas quatro primeiras posições três vezes neste século, e que teve pequenos em cinco das últimas sete finais.
O time mais caro do país disputou 18 partidas neste ano e não venceu seis. De cada três partidas, o Palmeiras não ganha uma.
É um índice alto demais para tanto investimento. "Era para ter sido mais. Não se pode não dar um pênalti destes", reclamou William Pottker, com razão, sobre a jogada em que Fernando Prass derrubou-o na área.
"O maior exemplo é o Barcelona, que virou contra o Paris Saint-Germain depois de perder por 4 x 0", declarou Pottker, sobre a classificação ainda não assegurada. O segundo jogo será sábado, no Allianz Parque e a tendência é a classificação ponte-pretana.
No futebol brasileiro, o dinheiro não é tudo.
O Barcelona jogou muito mal contra a Real Sociedad, no sábado. O Real Madrid quase perdeu para o Sporting Gijón, mas venceu com reservas. Na semana da Champions e do clássico, o Barcelona vive seu pior momento das últimas nove temporadas, desde a queda de Rijkaard.
José Mourinho ajudou o Manchester United a vencer o Chelsea por 2 x 0 e equilibrou o Campeonato Inglês. O Tottenham persegue o líder quatro pontos atrás. Mas fará quatro jogos fora de casa e clássicos em casa contra o Manchester United e Arsenal. Chelsea será o vencedor.





