COLUNA DO PVC
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Paulo Vinícius Coelho 
Meninos do Morumbi
Uma vitória hoje à noite contra o América fará o São Paulo alcançar 45 pontos. Só o Fluminense com 46, em 2013, e o Coritiba de 2009, com 45, foram rebaixados com pontuação tão alta. Na prática, vencer significa poder pensar em paz no que fazer para 2017.
Paz relativa, pela turbulência política e pela pressão para ter Rogério Ceni como técnico e de parte do conselho para não tê-lo. Mesmo assim, é possível começar a fazer resoluções de ano novo.
O sonho são-paulino é atravessar o negócio do Palmeiras com o Coritiba e contratar Raphael Veiga. Como o meia está apalavrado, é muito difícil conseguir isso.
No Morumbi, a ideia é contratar também atacantes. Zagueiros não são prioridade, pelas presenças de Maicon, Lugano, Lyanco, Douglas. Mesmo com a possível venda de Rodrigo Caio, a necessidade está na frente.
A ótima novidade deste final de ano é a utilização da geração campeã da Libertadores sub-20 em fevereiro. Na decisão contra o Liverpool do Uruguai, o ataque era formado por David Neres, Lucas Fernandes, Luiz Araújo e Pedro. O segundo volante era Arthur. Todos participaram do Brasileirão.
Fernandes fez o primeiro gol da campanha em Volta Redonda, contra o Botafogo. Machucou-se. David Neres também teve lesão no ombro. Em seu primeiro treino no retorno deixou Ricardo Gomes boquiaberto: "Que menino é este?" Quem estava ao lado do treinador relata que, sem palavras, foi isso o que o técnico expressava no olhar.
É um sonho antigo no Morumbi recriar uma geração como a dos Menudos. Aquela foi uma história linda e única. Mas formar jogadores em casa ajuda a não depender de um mercado que oferece a cada dia mais atletas médios ou inexpressivos.
BAIXO NÍVEL
Paulo Autuori voltou a fazer críticas ao nível do futebol praticado no Brasil. Há diferenças entre a crise do campeonato e do futebol brasileiro. Por mais que Autuori toque na formação de jogadores, há depoimentos como o do coordenador das divisões de base da seleção brasileira, Erasmo Damiani, sobre a qualidade de vários trabalhos no país. Dizer que falta cuidado com a base virou chavão.
Há bons trabalhos e outros ruins no Brasil.
O Brasileirão de 2016 é melhor do que os últimos. Mas há muito para melhorar e isto não tem a ver só com a qualidade dos jogadores formados aqui. Primeiro porque muitos se vão e o êxodo faz parte da crise. Segundo, porque uma das deficiências é de conjunto.
Perto do final do ano, outra vez só há um time da Série A com um trabalho com mais de 12 meses. Só o Santos.
Isso explica por que o Flamengo de Zé Ricardo sofre quando pega uma defesa estruturada, como a do Corinthians. E por que o líder do Brasileirão pena para ganhar do Sport e perde do Santos. Cuca chegou ao Allianz Parque em março. Sete meses é tempo suficiente para montar uma equipe campeã. Insuficiente para ter um time maduro e do nível dos que passam anos a nos encantar nas principais ligas do mundo.
O Real Madrid ganhou a Champions League depois de cinco meses de Zidane. Mas o encanto aparece nos trabalhos, estilos ou elencos que se mantêm por mais tempo. Barcelona, Bayern de Munique e Atlético de Madri.
O MELHOR
O Palmeiras não jogou mal contra o Santos. Queria o contra-ataque e poderia ter vencido a partida dessa forma. A impressão dos últimos jogos de que o líder não encanta provoca esquecimentos. Quem jogou melhor neste Brasileirão foi o Palmeiras. No primeiro turno.
OS RESULTADOS
O Flamengo é diferente. Foi muito bem no primeiro tempo contra o Atlético -MG e caiu de produção depois. Mas seus resultados contra os cinco melhores do Brasileirão não são bons. Apenas uma vitória, sobre o Atlético-MG, no primeiro turno, em Brasília.


