A grande crise
A invasão ao centro de treinamento deixou sequelas evidentes no ambiente de trabalho do São Paulo. As reações foram diferentes. De Michel Bastos e Wesley, agredidos, a Hudson, que escapou ileso e mesmo assim declarou a necessidade de agradecer a Deus por não ter acontecido nada (ainda) mais grave.
Foi a mais absurda invasão de um local de trabalho de jogadores na história do futebol brasileiro, porque não há nem sequer a justificativa tradicional dos imbecis uniformizados: "Viemos conversar." Não!
Um idiota de uniforme levantava o braço e dizia: "Não é para bater". Era a senha para outro imbecil agredir justamente quem tinha ao seu lado o suposto defensor.
E ninguém vai preso...
O resultado foi o São Paulo de novo insosso, insípido, inofensivo contra o Coritiba. O São Paulo perdeu um terço dos jogos que disputou neste ano como mandante, seis no Morumbi, três no Pacaembu. De 27 partidas em casa, não venceu 12. Ontem foi o terceiro empate.
A razão da crise é evidente. O São Paulo começou o ano com os cofres vazios, o que pode ser atribuído em parte à gestão de Carlos Miguel Aidar. Em janeiro, só contratou quem podia chegar de graça. A exceção foi Kieza, comprado por R$ 4 milhões e vendido logo depois.
Calleri veio só pelo custo dos salários. Despediu-se em Medellín depois da derrota para o Atlético Nacional. Naquele dia, na Colômbia, o São Paulo desfez a equipe montada sem custo e que o levou à semifinal da Libertadores. Seguiu-se o desmanche com as saídas de Ganso, Calleri e Edgardo Bauza.
A nova equipe não existe ainda. Cueva já jogou pela esquerda e por vezes ocupa a faixa de armação com estilo diferente de Ganso. Michel Bastos passou duas semanas recuperando-se fisicamente. Buffarini chegou e não jogou bem com o novo técnico Ricardo Gomes. O elenco não é numeroso nem talentoso. Agora é também assustado.
Contra o Coritiba, o repertório limitou-se outra vez aos cruzamentos feitos por pontas abandonados, sem opção de passes. O jeito é lançar bolas aleatoriamente para a área. Contra o Juventude, foram 50 cruzamentos. Ontem, 39.
É possível dizer que a gestão de Leco e Gustavo Oliveira cometeu erros, mas há acertos, como recuperar o caixa e não atrasar salários.
Com dinheiro do novo contrato de TV, é possível projetar um time mais forte na próxima janela de contratações, em janeiro. Até lá, só estabilizar-se no meio da tabela do Brasileirão e sonhar com a improvável Copa do Brasil.
A única outra providência urgente no Morumbi é dar queixa à polícia sobre o que se passou no centro de treinamento no sábado passado.

CINCO PONTOS
O Palmeiras voltou a asfixiar a saída de bola de seus adversários e obrigá-los a dar chutões para o campo de ataque. O Fluminense foi vítima da pressão de Cuca. As faltas laterais ensaiadas também são precisas. Dos cinco gols palmeirenses no segundo turno, três nasceram de bola parada.
Só não ajudou o Palmeiras a vitória do Flamengo em Chapecó. São três pontos e seriam cinco de vantagem se a Chapecoense mantivesse o empate. Em 2009, cinco pontos foi a maior distância do Palmeiras para o segundo colocado, antes de despencar, perder o título e a vaga na Libertadores.

Adeus!
Gabriel voltou a Santos só para se despedir da torcida e migrar para a Internazionale. Foi apenas a segunda partida do Santos no Brasileirão com todos os titulares. A derrota tem a ver com o clima melancólico. Também com o calor. O Santos é quem mais sofre nos jogos das 11 horas da manhã.

Não engrena
Quarta derrota do Corinthians em 14 jogos e a torcida não aceita o tempo que se pede para Cristóvão Borges. O time não está igual. Mais espaçado, menos cirúrgico. O álibi ainda é a classificação. Cristóvão pegou o Corinthians em quarto, a mesma posição que o time ocupa na tabela atualmente.

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