Juan Carlos Osório já disse que, no Brasil, todos os times jogam no 4-2-3-1, com um armador de um lado e um velocista do outro. Em vez de produzir a mudança, Osório segue a tendência. Joga do mesmo jeito, ou quase, porque ontem escalou dois atacantes pelos lados ""Centurión pela direita, Pato pela esquerda.
Seu time joga bem.
As pequenas alterações de cada time muitas vezes representam jogar melhor ou pior.
O delicioso jogo entre São Paulo e Coritiba começou com os paranaenses apertando a marcação sobre os zagueiros são-paulinos, para dificultar a saída de bola. A estratégia durou catorze minutos, até o momento em que Marcos Aurélio deveria marcar Lucão e deixou-o livre.
Foi do zagueiro o lançamento para Pato fazer a jogada e Centurión concluir. Também foi Lucão quem teve a visão de jogo para esticar a bola na jogada em que Pato marcou o segundo.
Quando o zagueiro sabe jogar, o que se convenciona chamar de ligação direta pode ter outro nome: passe. Ney Franco mandou sua equipe marcar a saída da defesa, por conhecer o jeito de jogar do São Paulo, com tentativa de passes, e não de esticões, de seus zagueiros.
Só que existe uma diferença entre um chutão e um bom passe e isto Ney Franco não previu.
Osório tem razão também na observação da quantidade de times no mesmo sistema tático, neste Brasileirão. Foram dezesseis equipes no 4-2-3-1 neste fim de semana. No passado, os jornalistas ingleses e italianos diferenciavam o 4-4-2 europeu do brasileiro. Aqui eram quatro zagueiros em linha, dois volantes, dois meias criativos e dois atacantes -- 4-2-2-2.
Ninguém mais joga desta maneira. Todos imitam o que se faz na Europa. Se o São Paulo jogasse no sistema dos anos 90, Pato poderia ser ponta-de-lança, sem precisar jogar tão aberto pelo lado esquerdo.
O posicionamento atual foi um pedido pessoal do atacante e está dando certo. Na terça-feira, antes da partida contra o Vasco, Pato deu a entrevista mais útil de sua vida.
Falou de tudo e sobre como conversou com Juan Carlos Osório para explicar que não se sente bem como centroavante. Disse que Silvio Berlusconi pediu para que jogasse como camisa 9 fixo e contou os detalhes do diálogo, na sala da casa do dono do Milan, na época também seu sogro.
Osório não mudou o São Paulo em comparação com o sistema tático da maioria, mas parece influir no desempenho de seu principal atacante. Pato marcou cinco gols e fez três assistências no Brasileirão --três gols e duas assistências desde a estreia do técnico colombiano.
Foi um prêmio para sua atuação e para a manhã de sol no Morumbi o público de 59.612 (58.482 pagantes), recorde do Brasileirão 2015 e melhor número no primeiro turno desde 2010.

Jadson voltou
A pergunta sobre quem se deu melhor na troca Corinthians e São Paulo, de 2014, não faz sentido. Pato tem jogado bem. Jadson, também. Dos 15 gols corintianos no Brasileirão, ele fez seis e deu três passes "" 60%. Ontem, foi quem mais acertou passes e errou menos do que Renato Augusto e Elias.

OS FAVORITOS
O River Plate só fez um gol e não venceu nenhum dos três jogos depois da paralisação do Campeonato Argentino. O Internacional saiu do rebaixamento ontem vencendo o Joinville, lanterna do Brasileiro, com o time reserva. Não subestime Guarani e Tigres na semifinal da Libertadores.

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