Coluna do PVC
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2018
Paulo Vinícius Coelho 
Orgulho e covardia
O Corinthians tinha o controle do jogo e empurrava o Santos para o campo de defesa até os 19 minutos, quando Renê Júnior acertou um tiro lindo da intermediária, e venceu o goleiro Vanderlei. Depois de o Corinthians fazer 1 a 0, o jogo mudou.
O Santos saiu para construir boas jogadas na frente. Já havia ameaçado com cabeçada de Rodrygo aos 11 minutos e com Copete aos 16, mas passou a ter mais controle no campo de ataque depois de sofrer o gol.
Com os dois estilos dos dois times, o clássico no Pacaembu foi ótimo. O Santos criou chances de gol, mas com o Corinthians saindo mais para o jogo e com momentos em que de fato viam-se os quatro homens mais avançados próximos uns dos outros. Como se fosse uma linha, entre Romero, Rodriguinho, Jadson e Clayson.
Na maior parte do tempo, o Corinthians seguia com suas duas linhas de quatro homens e o Santos com um sistema que lembrava mais o time de Carille do ano passado.
Vanderlei tinha à sua frente quatro homens em linha, Daniel Guedes, Lucas Veríssimo, David Braz e Jean Mota; Alisson fazia o primeiro volante, com outra linha à sua frente, com Rodrygo, Léo Citadini, Vecchio e Copete. No ataque, Sasha.
Se você não notou, nem centroavante de um lado, nem do outro. Mesmo assim, muitas chances concretas de gol.
O Corinthians está mais forte. Não se trata de mais qualidade individual, mas de conjunto. Não é acaso o fato de o Corinthians ter se tornado, neste domingo, o único dos quatro grandes a vencer três clássicos como visitante, desde que nasceu a estúpida iniciativa da torcida única.
Foi a primeira vez na história em que o Corinthians jogou no Pacaembu sem nenhum torcedor. Sem torcida, desde a decisão de tirar os visitantes nos clássicos, os corintianos perderam cinco, empataram um e venceram três. Natural vencer menos do que ganhar, no cenário vigente desde o início das torcidas únicas. Todos os jogos somados, os visitantes ganharam oito de 37 visitas 21%.
Santos, Palmeiras e São Paulo também têm mais derrotas do que vitórias nos clássicos como visitantes. Mas o Corinthians é quem mais vence: três. Não é por acaso. É o clube com maior sequência de trabalho.
Desde 1994, o Santos não jogava no Pacaembu todo de branco contra o Corinthians. Ou seja, não jogava como mandante, com seu uniforme principal. Daquela vez, o branco, da paz, foi no dia da agressão do técnico Serginho Chulapa ao repórter Gilvan Ribeiro.
Neste domingo, houve agressões de santistas a um corintiano em Itaquaquecetuba, a 42 quilômetros de distância do Pacaembu. No início do período com torcida única, Corinthians e São Paulo jogaram em Itaquera e houve guerra numa rodovia em Valinhos, a 104 quilômetros do local do jogo.
O Santos todo de branco no Pacaembu contra o Corinthians remete a 1964, o maior de todos os clássicos entre os dois alvinegros: Santos 7 x 4 Corinthians. Faz 54 anos e Fiori Gigliotti narrava assim, uma parte do segundo tempo: "Neste momento, estoura imenso sururu. Olhá lá, que perigo, meu Deus! Que corrida tremenda no setor das gerais. Por certo, muita gente se machucando".
Naquele dia, foi um grande jogo, como também foi domingo. Ninguém morreu.
Aula de Copa
Tite esteve neste domingo na Inglaterra, para assistir a Manchester City x Chelsea. Sua ideia é vasculhar como enfrentar linhas de cinco homens na defesa, com quatro no meio-de-campo. Teve uma aula. O City sofreu, mas conseguiu vencer o Chelsea, no ferrolho moderno, por 1 a 0.
Equilíbrio
O início da Libertadores foi péssimo para o Brasil, com apenas uma vitória. Mas não foi só. A Argentina também venceu um jogo só. Não é crise de um nem de outro país. A questão é que o excesso de êxodo e de mudanças faz com que os pequenos equilibrem a disputa.


