Coluna do PVC - Um contra um
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 2016
PAULO VINÍCIUS COELHO 
Na quarta (3), o italiano Arrigo Sacchi respondeu a uma pergunta deste colunista sobre a escola brasileira de futebol. A expectativa era que explicasse como viu durante anos o estilo dos craques daqui.
Em vez disso, Sacchi fez uma observação mais importante: "O Brasil tem problema porque continua jogando um contra um. É preciso entender que o jogo é 11 contra 11".
Parece o velho chavão, "são 11 de cada lado", mas não é.
Ao saber da declaração de Sacchi, o técnico do Grêmio, Roger Machado, completou: "Nossa marcação é de encaixe e isso provoca duelos na partida. O certo é marcar o setor, como fazem na Europa."
Até hoje, conta-se que a marcação por zona foi criada no Brasil por Zezé Moreira. Há anos, os times brasileiros não marcam nem por zona nem individual. É um híbrido. Na Itália, até o meio dos anos 80, era um tabu marcar por setor. Só homem a homem.
Sacchi virou o mestre italiano da marcação por zona no Milan bicampeão da Liga dos Campeões de 1989 e 1990. Na resposta sobre a escola brasileira, não se referia apenas ao sistema de marcação, mas também à tentação do Brasil julgar que o craque resolve sozinho.
Não é mais assim.
É muito difícil haver um grande time sem um craque, mas também é duríssima a vida de um grande craque sem um bom time.
Cada vez há menos espaço e o que abre cadeados defensivos não é só o drible. É a capacidade de uma equipe movimentar as peças do seu adversário.
O Grêmio entrará na Libertadores com o técnico Roger Machado baseando seu trabalho em informação. Seu apoio é o Centro de Dados Digitais (CDD), montado no Grêmio. No CDD, Roger me mostra uma imagem contra o Brasil de Pelotas.
O meia Douglas era marcado pelo volante. "As pessoas dizem que, quando marcado, o meia tem de levar o marcador para o lado do campo, mas nesse caso ele fica longe do gol. O certo é levar para dentro dos zagueiros", diz o técnico.
Na imagem, Douglas vai para o meio da zaga, e o volante acompanha, marcação de encaixe. Só larga a marcação quando o zagueiro se aproxima e então Douglas se afasta para a meia direita. O volante volta a acompanhá-lo e isso abre o espaço para Maicon se infiltrar. No vazio, Maicon faz o passe e Pedro Rocha faz o gol.
Sacchi diz que o Brasil tem a sorte de ter um técnico da seleção que pensa futebol como na Europa.
Nesse caso, o técnico do Milan dos anos 80 está desatualizado. Dunga pode conversar no tom dos europeus, mas tática não é tudo. A relação humana é importante.
Há outros treinadores no Brasil que bebem das fontes mais modernas. Roger Machado é um deles, Tite é outro, Mano Menezes também.
Tentam fazer seus times funcionarem como uma engrenagem. Grêmio e Corinthians invertem o eixo tradicional do futebol brasileiro, onde primeiro se marca o jogador, depois a bola e, por último, o espaço. Fazem como o Barcelona. A pirâmide atual é espaço-bola-jogador.
O defensor só vai atrás do atacante quando a bola passa pela linha na qual ele defende.
A maior parte das vezes em que há um texto como este alguém julga denso demais. Preferimos falar sobre erros de árbitros, noitadas de jogadores e dizer que os técnicos estão desatualizados.
Nossas conversas sobre futebol também podem melhorar.
mais forte
Calleri já marcou três gols em dois jogos pelo São Paulo. É centroavante típico, na definição de Edgardo Bauza, mas movimenta-se muito. Aos poucos, a tendência é tomar a posição de Alan Kardec, que pode jogar na linha dos armadores.
mais fraco
O Atlético Mineiro recebeu proposta pelo atacante Pratto e pensava em Calleri como seu substituto. Estava tudo certo. O Atlético lamenta Calleri ter acertado com o apoio de Bauza. Ficaria mais forte com o argentino e enfraqueceria o São Paulo.


