O Barcelona empatou as duas partidas desta semana em que Neymar foi desfalque. Na quarta-feira, contra o Bayer Leverkusen, Luis Suárez e Iniesta também estiveram ausentes. Contra o La Coruña foi diferente. O Barça jogou em baixa velocidade, como se medisse os passos antes da viagem para o Mundial de Clubes.
No primeiro jogo depois da lesão de Messi, em setembro, o Barcelona também não jogou bem. Neymar foi o melhor do time, mas não evitou a derrota para o Sevilla. Dali até o retorno do melhor jogador do planeta, o Barça teve Neymar brilhante em oito jogos, com sete vitórias, um empate e 24 gols marcados.
Listar curiosidades é sempre divertido, nem sempre leva a conclusões precisas. Nem o Barcelona podia dispensar Messi como fizeram supor aqueles oito jogos fantásticos sem ele, nem é impossível ter o mesmo nível de eficiência com Messi, enquanto Neymar estiver ausente.
Mas é inevitável observar os jogos do Barça tentando entender até que ponto já começou a ascensão de Neymar e se ele será ou não em breve mais indispensável do que Messi.
Há vinte dias, o Real Madrid foi massacrado em seu estádio pelo Barcelona com Neymar em campo e Messi no banco. Foi tentador decretar o declínio de Cristiano Ronaldo, superado por Neymar, fato que provavelmente se confirmará na eleição da Fifa, em janeiro.
Mas, na terça-feira passada, Cristiano Ronaldo marcou quatro gols no Malmö e terminou a fase de grupos da Champions League com 11 gols, marca jamais alcançada nesta etapa da competição.
É certo dizer que Cristiano Ronaldo é menos artista do que Messi e Neymar. Não é preciso desqualificar um para enaltecer os outros. Difícil é pensar em outro período da história onde tenha havido três jogadores tão excepcionais juntos no mesmo campeonato.
Platini, Zico e Maradona no Campeonato Italiano? Maradona ainda estava no Barcelona na primeira temporada de Zico na Itália. Machucado na maior parte da segunda, Zico fez só quinze partidas e três gols.
O Barcelona está a seis dias da decisão do Mundial de Clubes, possivelmente contra o River Plate. Em sua final mais recente, atropelou o Santos. Em 2011, era Messi x Neymar. Agora, dependendo da recuperação do brasileiro, os dois estarão juntos.
O título pode nos fazer tomar outra decisão precipitada. Olhar para os dois gênios lado a lado e apontar o maior campeão mundial de todas as épocas. Quais campeões mundiais tiveram duplas assim? O Santos de Pelé e Coutinho; o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano; o Real de Ronaldo e Zidane.
Mas futebol é jogo coletivo e além da genialidade das duplas será possível comparar o Barcelona de 2015 com o que venceu o Santos em 2011. Este tem gênios em estado de graça, que alimentam a discussão sobre quem está melhor, se Neymar vai superar Messi, se o time pode prescindir de um ou de outro...
O outro era mecanicamente perfeito, com Messi saindo da área, atraindo um zagueiro e abrindo espaço para os pontas entrarem em diagonal. Ou obrigando um volante a voltar para marcar o falso centroavante e deixar livre o setor de onde sairia o passe perfeito de Xavi ou Iniesta. Ou ainda recebendo livre atrás dos volantes para resolver ele mesmo ao seu jeito. Que saudável loucura poder comparar tantas coisas geniais do futebol mundial na última década.

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