Diferentemente das cinco campeãs mundiais que mudaram de técnico no meio do ano, a Colômbia aposta no planejamento. Nestor José Pekerman é o técnico desde 2012, conseguiu a melhor classificação na história do país em Copas do Mundo e sofre pressão mesmo assim.
Antes da Copa América, Juan Carlos Osorio recebeu telefonema de dirigentes colombianos questionando se largaria o México para orientar seu país de nascimento.
O relato é de quem conviveu com Osorio no time do São Paulo e conversou com ele durante a campanha do torneio continental nos Estados Unidos.
Mesmo questionado, Pekerman segue fazendo o melhor trabalho já realizado na Colômbia.
Volante que jogou no Argentinos Juniors, em seu país de nascimento, e mais tarde no Independiente de Medellín, Pekerman segue a história da formação do caráter do futebol colombiano. Os argentinos foram responsáveis por isso.
Em 1948, ano da greve mais famosa de futebolistas sul-americanos, o presidente da Federação, Alfonso Senior, decidiu criar uma liga relevante. Seguiu para Buenos Aires e seduziu grevistas com salários muito maiores do que recebiam em seus clubes.
Sua liga era pirata, descumpria as regras da Fifa. O dinheiro que não se pagava pelo passe ia direto para a conta corrente dos craques.
Di Stéfano, Pedernera, Nestor Rossi chegaram a Bogotá e interferiram diretamente na formação do novo jogador colombiano. O culto ao toque de bola é, portanto, influência argentina.
Também jogaram no Eldorado colombiano brasileiros como Heleno de Freitas e Marinho Rodrigues, pai de Paulo Cezar Caju.
A Colômbia sempre foi realista. Quatro dias antes da estreia na Copa do Mundo de 1994, depois de Pelé declará-los favoritos ao título, o técnico Francisco Maturana deu entrevista a este colunista dizendo que seu time não estava pronto.
A conversa nunca foi publicada porque antes da segunda edição da revista "Placar" na Copa dos Estados Unidos, os colombianos já estavam eliminados, com duas derrotas em dois jogos.
Hoje é diferente. É a terceira colocada do discutível ranking da Fifa. O Brasil está em nono lugar. Tem jogadores de times grandes, como James Rodriguez no Real Madrid, Cuadrado na Juventus e Bacca no Milan. Tem experiência e um trabalho longo e bem elaborado.
A Colômbia é mais time do que o Brasil. Há uma confusão quando se diz isso. Não há mais jogadores talentosos na Colômbia do que no Brasil. Há mais formação de equipe, porque há seis anos repete-se o estilo de jogo.
A Folha mostrou no domingo (4)que cinco dos oito campeões mundiais mudaram de técnico a dois anos da Copa. Na Europa, o fim do ciclo tem sido na Eurocopa. Isso explica em parte o fracasso de Itália, Espanha e Inglaterra, todas eliminadas na fase de grupos em 2014.
Catorze dos vinte campeões mundiais tiveram comissões técnicas trabalhando por três anos ou mais. Vencer trabalhando errado não é regra, é exceção.
O Brasil teve cinco técnicos nos últimos seis anos –Dunga duas vezes– e 13 jogadores diferentes a cada torneio oficial.
Tite chega para mudar isso e fazer um trabalho coerente a médio prazo. O risco é enfrentar um time montado logo no segundo jogo.

CUCA E O PALMEIRAS

Cuca fala sobre ir para a China há meses. Desde que chegou. Não significa que vá. Se o Palmeiras ganhar o Brasileirão, haverá comoção da torcida para que fique... Se ganhar... Será o primeiro problema do provável novo presidente, Mauricio Galiotte.

DESCOBERTAS

São Paulo aposta em nomes da Série B. Jean Carlos é bom e ofereceu oito passes para gols pelo Vila Nova. É diferente jogar no Vila e resistir à pressão do Morumbi. Time vai mal, contas bem. Hoje, Leco mostra ao conselho redução de 35% da dívida.

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