São Paulo, 28 (AE) - Em janeiro do ano 2000, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgar sua relação anual de substâncias proibidas usadas pelos atletas como tática química para melhorar o desempenho , a nandrolona, um esteróide anabolizante injetável, ainda estará nela. A nandrolona, que ganhou projeção nos últimos dois meses, será um dos assunto da pauta da reunião da Comissão Médica do COI, em Sydney, na Austrália, nos primeiros dias de outubro. "Aparentemente, o número de casos por nandrolona aumentou porque cresceu o uso da substância", ressalta o médico brasileiro Eduardo De Rose, especialista em controles antidoping.
A droga ganhou destaque nos últimos dois meses ao ser encontrada em exames antidoping de nomes vitoriosos do atletismo
como os velocistas Merlene Ottey e Linford Christie, de atletas menos famosos, como Doug Walker e Troy Douglas, e da brasileira Elisângela Adriano, do lançamento do disco e arremesso do peso. A estranha "epidemia" de nandrolona ganhou versões, que foram até atribuídas a Arne Ljungqvist, presidente da Comissão Médica do COI, de que suplementos alimentares poderiam ser a causa do grande número de testes positivos.
Aos 57 anos, De Rose, integrante das comissões médicas do COI e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), entre outros cargos, que atua na área desde a Olimpíada de Montreal, em 1976, está estranhando as versões. "Só conheço nandrolona injetável e nunca vi um caso prático de resultado positivo pela substância por contaminação de algum suplemento alimentar", afirmou. "Mas como existem posições internacionais de que pode ocorrer, estou curioso a respeito", observou. "Vamos analisar isso em Sydney."
De Rose afirmou que, desde 1976, as estatísticas mostram que 65% dos casos de antidoping positivos são causados por esteróides anabolizantes. Dessas substâncias, a que mais aparece é a nandrolona, um anabolizante endógeno fabricado pelo próprio organismo, que, usado artificialmente, serve para aumentar a massa muscular e melhorar a recuperação física, uma conduta condenada. A nandrolona só é tolerada nos exames antidoping quando aparece no limite de 2 nanogramas por mililitro de urina.

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