COI se preocupa com crise no Brasil
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Os organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio negociam um corte nos gastos do evento. Ontem, em Lausanne, na Suíça, o presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, apresentou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) os avanços nas obras do Parque Olímpico e destacou o fato de que os atrasos que chegaram a ser criticados publicamente pelo Rio foram superados. Hoje, salvo algumas das obras, a maioria delas está em dia.
Mas ele foi cobrado por um desafio ainda maior: a instabilidade financeira e política pela qual passa o País. Vivendo a pior crise econômica no Brasil em décadas, com presidentes de empresas de construção na prisão e um governo enfrentando um processo de impeachment, o Comitê Rio-2016 foi questionado sobre como o novo cenário no País pode impactar o evento símbolo do COI.
"Precisamos ajustar tudo e isso é normal", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio-2016. Eduardo Paes, prefeito do Rio, também participou da reunião, por videoconferência. Em sua intervenção, ele teria esclarecido a situação econômica.
Questionado se a crise foi discutida na reunião, Nuzman desconversou. "Tentamos explicar a situação. O importante é que teremos grandes Jogos Olímpicos e estamos explicando o que estamos fazendo", declarou o dirigente. "Nada vai afetar os atletas e a organização dos Jogos. Estamos trabalhando por sete anos", insistiu.
Nuzman garante que o dinheiro público vai ser disponibilizado. Mas o percurso final na preparação do Rio vai coincidir com um acirramento decisivo na definição do processo de impeachment e o temor dos dirigentes estrangeiros é de que o governo abandone os Jogos da lista de suas prioridades. Em termos econômicos, o medo é de que a situação do país impeça a entrada de recursos.
Agências de notícia como a Associated Press e a Bloomberg apontam que um corte de cerca de R$ 2 bilhões foi obrigado a ser implementado. Mas Mario de Andrada, diretor de Comunicações do Rio-2016, rejeita o valor citado. "A informação é incorreta. Existe um plano de economia. Mas não chega nem na metade deste valor", apontou.
Segundo apurou a reportagem, a cerimônia de abertura terá seu custo reduzido, assim como os investimentos nos eventos-teste serão controlados.
O que o COI quer saber é se estes cortes afetarão ou não as competições e as condições de preparação e alojamento dos atletas.


