COI descarta candidatura do Rio 2012
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Beleza é fundamental, mas não garante Jogos Olímpicos. Sem condições de transporte, segurança e acomodação, o Rio foi descartado ontem pelo COI na corrida pela Olimpíada de 2012 o órgão não aceitou nem mesmo considerar a candidatura carioca.
Na disputa, que é possivelmente a mais acirrada da história e terminará em julho do ano que vem, ficaram Paris, Londres, Madri, Moscou e Nova York.
No ano passado, quando o Rio obteve o status de cidade aspirante, ao vencer disputa contra São Paulo, o prefeito Cesar Maia havia dito: ''Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental''.
A decisão representa a maior derrota de Carlos Arthur Nuzman como presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Pela primeira vez a entidade tomou a dianteira da aspiração de uma cidade brasileira na tentativa de receber uma Olimpíada. Em 2000, quando Brasília concorreu, e em 2004, quando foi a vez do Rio, o COB não comandou as campanhas.
''Foi uma decisão que nos surpreendeu e causa decepção'', disse Nuzman em Lausanne (Suíça).
Para pode ser considerada candidata, uma cidade teria que preencher requisitos técnicos mínimos em setores como infra-estrutura, condições e impacto ambiental, acomodações, transporte, segurança e apoio financeiro.
Como o Rio não atendeu ao mínimo exigido, a cidade foi rejeitada, assim como ocorreu com Istambul, Havana e Leipzig.
O informe técnico do COI foi apresentado a dez membros do Comitê Executivo, que o acataram por consenso, definindo as cinco cidades candidatas.
Até 6 de julho de 2005, no entanto, quando sai a decisão, qualquer uma delas pode ser retirada da disputa, se apresentar problemas. ''As finalistas são as que têm mais condições para organizar uma Olimpíada'', disse o presidente do COI, Jacques Rogge.
Ele afirmou ainda que enviará o informe para cada uma das cidades analisar. Segundo Nuzman, o documento servirá ''para entendermos porque nossa proposta foi recebida dessa forma''.
O relatório criticou duramente o planejamento financeiro apresentado pela candidatura brasileira, considerado ''otimista''. Também assim foi considerado o planejamento de transporte. ''Dado o histórico de dificuldades do Rio com trens e pistas e o grande custo dessas estruturas, a probabilidade de ter um novo sistema em sete anos parece otimista.''
Na questão da segurança, o COI questionou o que o Rio considerava um trunfo: isolar o grosso das competições na Barra da Tijuca. Para o comitê, proteger tanta coisa junta seria ''complexo''.
O COI levou em consideração a classificação dada à economia brasileira pela agência de risco Moody's o que colocou a candidatura brasileira atrás de todas as demais, à exceção de Havana.
De positivo no plano carioca, o comitê enxergou o projeto da Vila Olímpica (''deixará bom legado como complexo residencial'') e a opinião pública pelas pesquisas feitas pelo COI, o apoio dos cariocas à candidatura só ficou atrás do da população de Havana.


