Lausanne, 10 (AE-AP) - Depois de um ano marcado por escândalos e pela perda de credibilidade e de receber massivas críticas de todo o mundo, o Comitê Olímpico Internacional (COI) quer esquecer uma das piores crises de seus 105 anos de história. Domingo, ao término da sessão plenária de número 101, pode nascer um COI "menos arcaico, mais moderno e preparado para o novo século", segundo definiu o presidente Juan Antonio Samaranch. A véspera, porém, foi marcada por mais uma suspeita de caso de corrupção.
O presidente da Comissão de Ética, o senegalês Kéba Mbaye admitiu que apareceu um novo caso, que está sob investigação e à espera de explicação do implicado antes de ser divulgado.
Nem o próprio Samaranch está seguro de que as mais importantes dentre as 50 propostas de reformas apresentadas pela comissão COI 2000 sejam aprovadas por dois terços dos votos do plenário. Samaranch pediu que os integrantes do COI deixem de lado interesses particulares e pensem no bem da instituição.
A oposição às reformas baseia-se na perda de privilégios e na diminuição dos direitos dos membros do COI. O drama do olimpismo agravou-se por causa das acusações de que a candidatura de Salt Lake City a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 envolveu um suborno de US$ 1,2 milhão para os chefes do COI.
Na ordem do dia está a ampliação da representação do COI, que passaria a ter 115 membros, incluindo 15 atletas em atividades, 15 presidentes de federações internacionais, 15 presidentes de comitês olímpicos nacionais e 70 pessoas eleitas por seus méritos individuais e trabalho realizado no esporte. Atualmente, não há número fixo de integrantes nem de representantes de cada âmbito.
Além de mudanças na estrutura da entidade em si, outras alterações importantes dizem respeito às candidaturas de cidades para a organização de Jogos Olímpicos. As interessadas terão de submeter-se a uma fase de aceitação prévia de candidaturas para que seja verificado se elas preenchem os requisitos mínimos. Atualmente, qualquer cidade que receba o apoio de seu comitê olímpico nacional pode ser candidata. Os membros do COI só poderão visitar as candidatas sob determinadas condições. Desde que surgiu o escândalo de corrupção foram totalmente suprimidas as viagens a convite das cidades.

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