COI afasta Nuzman e suspende o Comitê Olímpico do Brasil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de outubro de 2017
Paulo Roberto Conde<br>Folhapress 

São Paulo - O Comitê Executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciou que Carlos Arthur Nuzman, preso nesta quinta-feira (5) pela Polícia Federal, foi suspenso de suas funções na entidade. Nuzman era membro honorário do COI e integrava a comissão de coordenação para os Jogos de Tóquio-2020. Além disso, o comitê internacional suspendeu o Comitê Olímpico Brasileiro.
Com a punição, o COB está impedido de receber pagamentos e subsídios repassados pelo COI. O comitê nacional também perde seus direitos como filiado ao COI, como fazer parte de associações de comitês olímpicos nacionais. Apesar disso, o COI ressaltou que os atletas brasileiros não serão prejudicados. O país poderá enviar delegação para os Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerão em fevereiro próximo, em PyeongChang, na Coreia do Sul, e outros eventos.
Bolsas escolares a atletas do País, geralmente concedidas por meio do programa Solidariedade Olímpica, também estão mantidas. As sanções, que são provisórias, passam a vigorar de imediato. Elas só serão derrubadas uma vez que a liderança do COB apresente um plano de governança que satisfaça o comitê executivo do COI.
Liderado por seu presidente, o alemão Thomas Bach, o comitê executivo do COI acatou recomendação da comissão de ética da entidade, deliberada nesta sexta-feira (6).
O chefe da comissão, o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, expressou que Nuzman ainda tem direito a defesa, mas diante da gravidade dos fatos é urgente que o COI tome uma posição. Em respeito à regra 59 da Carta Olímpica, ele sugeriu que o COI retirasse Nuzman dos cargos que ocupava, o que foi acatado.
RIO-2016
Na mesma nota divulgada, o COI afirmou que encerrou toda e qualquer obrigação com o Comitê Organizador dos Jogos do Rio, do qual Nuzman é presidente, em dezembro de 2016. E que todas as cooperações financeiras até mesmo excederam o que era combinado. Assim, o COI não dará qualquer assistência ao Rio-2016, que hoje ainda tem uma dívida de quase R$ 130 milhões a saldar com fornecedores, consumidores e ex-funcionários.
"O COI decide suspender provisoriamente todas as relações com o Rio-2016", disse o comunicado. A suspensão pode ser revista caso problemas de governança do Comitê Organizador Rio-2016 satisfaçam a cúpula do COI.
Esportistas criticam corrupção no COB
A prisão do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro Carlos Arthur Nuzman, por suspeita de participar de um esquema fraudulento para comprar a escolha da sede do Rio de Janeiro nos Jogos de 2016, repercutiu entre esportistas de Londrina. A medalhista olímpica no vôlei e atual gestora Elisângela Almeida de Oliveira enfatizou que a corrupção no esporte somente irá se dissipar quando houver uma mudança no sistema, principalmente, no mandato, que para ela deveria ser de quatro em quatro anos. Nuzman é presidente do COB há 22 anos.
"Enquanto não mudar o sistema estaremos reféns de pessoas como Carlos Arthur Nuzman. Não tem como deixar um presidente de federação ou confederação por tanto tempo no cargo. Os dirigentes precisam ficar em seus postos no máximo por quatro anos e não por tanto tempo como alguns permanecem. No entanto, os dirigentes continuam no poder e destruindo as modalidades com a corrupção", critica a ex-jogadora.
"Como esportista estou envergonhada. A Olimpíada no Rio no ano passado foi uma forma de muitos dirigentes ganharem dinheiro. As praças esportivas se transformaram em elefantes brancos e não são mais utilizados pela população. Infelizmente, o povo brasileiro se acostumou a sofrer com o descaso e com a corrupção e precisamos mudar isso senão futuramente não teremos mais algumas modalidades", complementa.
O presidente da Fundação de Esportes de Londrina, Fernando Madureira, que já presidiu a Federação Paranaense de Taekwondo e foi técnico da seleção brasileira de taekwondo, também concorda que a gestão dos dirigentes deve durar por no máximo dois mandatos. "Essa investigação limpará o COB e teremos esses resultados somente nas Olimpíadas de 2024, pois em 2020 acredito que somente os atletas independentes irão ter resultados expressivos", avalia. (André Bueno/Grupo Folha)


