Londres - Com os Jogos de Londres praticamente concluídos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) já cobra o Rio de Janeiro para que tente ficar ''o mais próximo possível'' do padrão estabelecido pelos britânicos. O calendário de obras, a segurança, transporte e infraestrutura são áreas em que a cidade brasileira terá de seguir o modelo dos ingleses. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) já admite que o orçamento para 2016 será revisto para cima e os Jogos custarão mais caro do que havia sido estabelecido em 2009, quando a capital carioca ganhou o direito de sediar o evento. Só não diz de quanto será esse aumento.
O COI já anunciou que os Jogos superaram todas as expectativas e estabeleceram um novo padrão. ''Foram Jogos fantásticos e serão lembrados assim'', declarou Gunilla Lindberg, representante do Comitê Executivo do COI. Jacques Rogge, presidente da entidade, seguiu o mesmo tom, rasgando elogios aos ingleses.
Denis Oswald, presidente da comissão do COI que vistoriou e colocou em operação os Jogos de Londres, é da mesma opinião e usa o exemplo britânico como indicação do que o Rio de Janeiro deve fazer. ''Londres é um bom modelo e o Rio deve ficar o mais próximo possível disso'', pediu.
Oswald, um dos homens de maior influência dentro do movimento olímpico, deu seu recado aos organizadores no Brasil. ''Uma das fortalezas de Londres é o fato de que começaram a trabalhar imediatamente após ganhar o direito de sediar os Jogos, em 2005, e não perderam tempo'', disse, usando isso como uma lição que o Rio de Janeiro deveria tirar.
''Aqui em Londres, não tivemos problemas em obras ou atrasos em construções'', declarou Oswald. ''Quando se tem essa base, pode-se trabalhar de forma mais tranquila para garantir que todos os detalhes estejam em ordem para o evento. Pode até parecer que sete anos representam um bom tempo. Mas é um período muito curto'', alertou.
Para o COI, o Rio de Janeiro precisaria se basear em alguns pontos da organização londrina: segurança e transporte impecável, além da construção de locais para eventos com meses de antecedência e aptos para serem testados.
Oswald, porém, admite que nem sempre os voluntários em Londres estiveram nos níveis desejados pela organização. ''Havia muita gente. Mas nem sempre preparados'', disse. ''Esse será um ponto que o Rio de Janeiro precisa olhar com atenção, para não repetir tal situação'', declarou, lembrando de casos de motoristas colocados para transportar atletas que se perderam em Londres.
Orçamento
Um ponto ainda em suspense em relação à Olimpíada de 2016 é sobre quanto custarão os Jogos. Segundo o COB, o evento terá seu orçamento reformulado e o valor vai subir. Em 2009, a previsão era de que a operação custaria R$ 5,6 bilhões e outros R$ 23 bilhões seriam gastos em obras de infraestrutura. O COB alega que o aumento ocorrerá por conta da introdução do golfe e do rúgbi nos Jogos.
Denis Oswald admite que a falta de orçamento é ''lamentável''. Mas tenta se mostrar confiante. ''Em Atenas, tivemos sérios problemas Mas, no final, tivemos Jogos fantásticos. Cada cultura tem sua forma de se preparar e algumas parecem que gostam de deixar as coisas para o fim''.

Imagem ilustrativa da imagem COI aconselha o Rio de Janeiro a ter Londres como modelo para 2016
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