Cobranças irritam Parreira e jogadores
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Cosme Rímoli<br> Agência Estado 
São Paulo - Acabou a lua de mel com a seleção brasileira. No vôo de volta do Equador para o Brasil, Carlos Alberto Parreira deixou claro haver percebido o desencanto generalizado pela maneira que o Brasil sofreu a derrota de quarta-feira que acabou com a invencibilidade nas Eliminatórias. Percebeu que, ao contrário do ditado, será a última impressão que ficará do seu time em 2004.
As críticas foram muitas e pesadas por parte dos jornalistas. As principais: o fato de a equipe tentar se esconder atrás da altitude para explicar a falta de personalidade e luta. E a desconfiança sobre jogadores que são donos de posição. Como Ronaldo, que andou em campo e mesmo com falta de ar não foi substituído.
Ao desembarcar, Parreira foi contraditório. Esqueceu que havia dito na véspera do jogo que desejava vencer o Equador para terminar 2004 com o Brasil invicto e em primeiro nas Eliminatórias. ''O que vale é a conseguir se classificar para a Copa. Não importa ser primeiro das Eliminatórias. O Brasil conseguiu a vaga em quarto para 2002 e foi campeão. Não tem que ficar valorizando essa derrota'', dizia, irritado.
Parreira percebeu que o apoio que estava recebendo no comando da seleção foi seriamente abalado pela derrota. A raiva ele já havia demonstrado na saída do vestiário em Quito e no vôo de volta. Ao contrário do que faz normalmente, evitou conversar com os jornalistas. Ficou protegido na primeira classe do avião. Sua cara ficou mais fechada ainda ao saber da vitória da Argentina por 3 a 2 diante da Venezuela.
O encanto foi quebrado também em relação a alguns jogadores. Sem paciência para dar entrevistas, Kaká falou rapidamente no desembarque em Congonhas que a culpa da derrota foi da altitude. ''Eu nunca havia jogado em uma cidade tão alta como Quito. A bola corria demais. O Brasil sentiu a altitude e só'', declarou.
Roque Júnior também mostrava raiva com as cobranças pela derrota. O zagueiro que falhou no gol foi seco nas suas explicações. ''Não existe motivo para grandes cobranças. O time fez o que pôde na altitude. Perdeu, mas está bem na classificação e pronto.''
Só que o próprio capitão Cafu não se conformou coma as explicações pífias dos companheiros. ''Não existe essa história de buscar desculpa na altitude. Todos sabíamos o que iríamos encontrar em Quito. Faltou futebol à seleção. Temos de admitir e trabalhar para corrigir. Temos que assumir quando jogamos mal. Não precisa ter vergonha de falar o que todo mundo viu.''
Quanto a Ronaldo, o assessor de imprensa da seleção e do jogador, Rodrigo Paiva, fez o seu papel. Para preservar a imagem do atacante, sugeriu durante a coletiva a repórteres que perguntassem tanto sobre a falta de oxigênio que explicou o péssimo futebol do atacante como sobre o adiamento do casamento com Daniela Cicarelli para 14 de fevereiro. No que foi prontamente atendido.
Já Ronaldinho Gaúcho, que não tem assessor particular, preferiu não explicar a sua má atuação questionada pelos vários jornalistas que acompanharam a última partida da seleção em 2004.


