Rio de Janeiro - A nova medalha de ouro obtida nos exercícios de solo pela ginasta Daiane dos Santos e o inédito segundo lugar no salto sobre o cavalo não serviu somente como motivo de comemoração para o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.
Para o dirigente, as recentes conquistas, em um esporte onde o País não tem tradição, coroaram a realização de um trabalho ''livre de influências políticas'', a exemplo do que está ocorrendo em outras modalidades. ''Os resultados estão começando a surgir. Fico orgulhoso de ver que um projeto similar ao que foi feito no voleibol está dando certo. É como se fosse voltar no tempo e reviver aquela mesma emoção'', disse o presidente do COB e ex-presidente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), vibrando com as duas medalhas conquistadas na etapa de Lyon, na França, da Copa do Mundo. ''Assim como foi com o voleibol, a ginástica está seguindo um projeto técnico, sem influências políticas. E posso afirmar que outros esportes estão no mesmo caminho.''
Em uma rápida análise sobre os motivos que possibilitaram o desenvolvimento da ginástica no Brasil, Nuzman destacou dois fatores: as três bolsas do Programa Solidariedade Olímpica do Comitê Olímpico Internacional (COI) e a contratação do ucraniano Oleg Ostapenko para treinar a seleção brasileira. Em 1997, o País foi inserido no programa da entidade mundial que passou a destinar cerca de US$ 3,5 mil mensais à modalidade.
O objetivo inicial do Programa Solidariedade Olímpica é o de propiciar o desenvolvimento individual dos atletas. Na ocasião, com o aval do COB, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBGin) optou por utilizar os recursos para pagar as viagens da seleção e assim fazer com que a equipe participasse de competições internacionais e ganhasse experiência. ''Considero a Daiane dos Santos o resultado de um projeto que deu certo, assim como foi feito com o voleibol. Particularmente, essas conquistas da Daiane me enchem de orgulho, pois é o resultado de um trabalho iniciado em 1997 com o apoio do Programa Solidariedade Olímpica, do COI'', destacou Nuzman. ''Desde o início, o COB acreditou nas propostas da CBGin, que está sabendo conduzir exemplarmente essa transformação, de um esporte que não tinha praticamente nada, nenhum resultado, e hoje tem uma campeã mundial.''
O Programa Solidariedade Olímpica também foi responsável pela chegada à seleção, em 2001, de Ostapenko. O técnico ucraniano passou a ser um dos mais respeitados no mundo da ginástica após sua atleta, Tatiana Lysenko, ter conquistado a medalha de ouro na Olimpíada de Barcelona, em 1992. ''Quando soubemos que era necessário buscar um técnico estrangeiro fomos ao COI e conseguimos trazer o Ostapenko por um contrato de três anos, algo inédito na história do Solidariedade Olímpica, que até então só permitia contratos de um ano'', contou.
Apesar do sucesso à frente da equipe brasileira, o técnico ucraniano pode optar por retornar ao seu país, após a disputa na Grécia. O motivo? Saudade de sua terra-natal.

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