Coadjuvante, Ferreira tem papel fundamental
Atenas - Tido como coadjuvante na conquista do timoneiro Torben Grael, o proeiro Marcelo Ferreira tem, na verdade, papel preponderante na embarcação. Marcelo Bastos Ferreira, 38 anos, 104 quilos distribuídos em 1,81 m, vem sendo o parceiro ideal de Torben. Juntos, além do ouro em Atenas, eles foram campeões também em Atlanta-96 e levaram o bronze em Sydney-00.
Para que a embarcação tenha sucesso, o proeiro precisa ser sempre mais pesado que o timoneiro, para fazer contrapeso e permitir o bom desempenho da embarcação. Torben tem 1,85 m e 88 quilos.
''A relação de peso entre os dois velejadores é primordial para o barco'', diz Ferreira, que além de servir de contrapeso, tem a função de regular a vela da frente (a menor). Torben, por sua vez, cuida da vela de trás (a maior) e da direção do barco.
''Na Star, de nada vale atletas leves. Eles teriam dificuldades para comandar o barco que é grande (6,9 m de comprimento). O contrário também aconteceria se o Torben e o Marcelo quisessem disputar a 470, que não aceita muito bem competidores pesados pelo fato de ser uma embarcação menor (4,7 m)'', explica Reinaldo Câmara, chefe de equipe da vela e vice-presidente executivo da FBVM (Federação Brasileira de Vela e Motor).
Para Câmara, com o ouro em Atenas, os brasileiros terão oportunidade de conhecer melhor Ferreira (que já foi também campeão mundial da star nos EUA-03, ao lado do alemão Alexander Hagen).
''Antes, ninguém nem mencionava o proeiro, só o timoneiro. Muita gente acha que o proeiro só vai dentro do barco para fazer contrapeso, mas ele é uma peça fundamental. Os dois atuam em conjunto, escorando e regulando as velas.''
''A star não é só o Torben. A star é o Torben e o Marcelo'', completa Câmara. (Agência Folha)





