Clubes vão à Justiça contra 'canetada' de Moura
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terça-feira, 05 de dezembro de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Quem achou que as confusões envolvendo o Campeonato Paranaense 2007 haviam acabado, se enganou. Nos próximos dias, novos capítulos estão por vir e prometem ser apimentados. Eles devem ser protagonizados por Engenheiro Beltrão e Francisco Beltrão.
As duas diretorias não engoliram a forma como foram definidos os substitutos de União Bandeirante e Galo Maringá, que desistiram de disputar o torneio. Na base da canetada, o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Nilo Rolim de Moura, colocou o Toledo, que havia sido rebaixado este ano, e Iguaçu, terceiro colocado da Divisão de Acesso, nas duas vagas abertas.
Ao Engenheiro Beltrão, quarto colocado na Divisão de Acesso, em nota oficial um dia antes da decisão definitiva, Moura afirmou que a inclusão do clube na Série Ouro infrigiria o Estatuto do Torcedor, pois Portuguesa Londrinense e Cascavel já haviam preenchido as vagas destinadas aos clubes que disputaram o torneio. No entanto, homologou no dia seguinte o acesso do Iguaçu, terceiro da Segundona.
O Toledo, rebaixado no Estadual 2006, brigou em todas as instâncias pela vaga do União e acabou perdendo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Com a desistência do time de Bandeirantes, a entidade colocou panos quentes no episódio dando a vaga à equipe toledana, mas esqueceu de dar satisfações ao outro rebaixado, o Francisco Beltrão.
O presidente do Engenheiro, Luiz Heitor Linhares, já avisou que hoje deve ser protocolado uma nova reclamação no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). ''Colocar um time que foi rebaixado é uma afronta aos direitos dos outros clubes. Critério técnico é o mais justo. O Iguaçu foi o terceiro (da Segundona) e subiu, nós ficamos em quarto. Foi uma decisão política'', cobrou. ''Nós não vamos nos silenciar diante dessa situação. Nosso direito foi expurgado''.
O Francisco Beltrão ainda não decidiu se também entra na briga. O supervisor do time, Natalino de Souza, disse ontem que os advogados do clube estão estudando o caso. Ele qualificou como retaliação a manutenção do time na Segundona em 2007 devido a reclamações contra a arbitragem e a FPF.
Moura foi procurado pela reportagem para explicar as decisões. No entanto, mais uma vez ele se omitiu. Por e-mail encaminhado à assessoria de imprensa da FPF, a Folha fez os seguintes questionamentos ao cartola que há mais de 20 anos manda no futebol estadual: ''Quais foram os critérios para promover Toledo e Iguaçu nas vagas de União e Galo''? ''Em nota oficial, o senhor comunica ao Engenheiro Beltrão que eles não têm direito de disputar a Série Ouro porque estavam na Segundona. No entanto, um dia depois o senhor próprio oficializa a inclusão do Iguaçu, que também estava na Divisão de Acesso. Há uma contradição nas duas decisões tomadas pelo senhor. Por que isso''? ''O senhor teme ações de torcedores e clubes contra suas decisões, baseados até no Estatuto do Torcedor''? ''A entidade está preparada para isso''? ''Quase todas as competições organizadas pela entidade vão parar nos tribunais devido a irregularidades ou a decisões que beneficiam interesses de determinados grupos. De quem é a culpa? Por que esse quadro não muda''? ''Diante de tantas confusões, o senhor acha que ainda possa existir credibilidade no futebol paranaense''?


