Clubes temem competir contra propostas em dólar
São Paulo, 12 (AE) - Se depender dos contatos iniciais entre dirigentes de clubes estrangeiros e empresários de jogadores brasileiros, os principais clubes de vôlei correm o risco de perder várias de suas estrelas na próxima temporada. A desvalorização do real e o talento mostrado pelos atletas da seleção no Mundial do Japão, em novembro, despertaram o interesse principalmente de times italianos e criaram uma expectativa difícil para os clubes brasileiros: competir contra propostas em dólar.
O empresário Jorge Assef Neto, que representa vários jogadores de vôlei, recebeu várias propostas, algumas irrecusáveis. "Nalbert, Kid, Joel e Axé são pretendidos por equipes européias", comenta o empresário, que negocia os contratos de mais de 20 atletas. "O interesse dos estrangeiros aumentou bastante nas últimas semanas." Da lista dos 18 jogadores convocados na quinta-feira pelo técnico Radamés Lattari Filho, da seleção brasileira, 6 são representados por Assef: Axé, Kid, Joel, Nalbert, Ricardinho e Renato Felizardo. A seleção convocada disputará a Liga Mundial e os Jogos Pan-Americanos.
O quarto lugar obtido pela renovada seleção brasileira no Mundial do Japão revelou outros talentos, agora cobiçados por fortes times italianos. O meio-de-rede Gustavo, do Banespa, considerado o melhor bloqueio do Mundial, por exemplo, é um dos jogadores mais disputados.
Gaúcho, de 23 anos e 2,03 metros, Gustavo foi o grande destaque brasileiro na última temporada. O esperado aumento nas negociações envolvendo a transferência de atletas para o vôlei europeu pode provocar a associação de empresários.
Jorge Assef Neto estuda, por exemplo, uma parceria com o empresário italiano Pietro Pea. "Estamos conversando e só precisamos passar todos os detalhes para o papel", lembra Assef. "Queremos um acordo sério e bem documentado."
Redescoberta - O vôlei brasileiro já exportou muitos atletas para a Europa. Na Olimpíada de Barcelona, em 1992, quando o Brasil conquistou a inédita medalha de ouro, cinco dos seis titulares jogavam na Itália: Maurício, Marcelo Negrão, Giovane, Tande e Carlão. Só Paulão atuava no vôlei brasileiro.
No início da atual temporada, os italianos redescobriram os jogadores brasileiros. Marcelo Negrão, por exemplo, foi o primeiro a transferir-se. Ele deixou o extinto time da Philco/Santo André e assinou com o Piaggio/Roma. O jogador está retornando a sua melhor fase na Itália e foi convocado para a seleção brasileira.
Além de Negrão, estão participando da Liga Italiana os atacantes Janélson, Miguel e Dentinho. No feminino, a representante brasileira é Hilma.





