A criação da Liga Nacional de Futebol é o primeiro reflexo da aprovação da Lei Pelé na Câmara dos Deputados. O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e o presidente da Abrascef (Associação Brasileira de Clubes de Futebol), Paulo Carneiro, já começaram a conversar sobre o assunto, com o aval das associações filiadas. Os dirigentes garantem que o objetivo da nova entidade é organizar competições, mas com a chancela da CBF.
O gaúcho Koff representa a entidade que congrega os chamados grandes e o baiano Carneiro, que também é presidente do Vitória, comanda a entidade que começou como Clube dos 11, formada pelas equipes consideradas menores na Série A, e que se fortaleceu com a adesão de times que disputam a Série B, como Ceará, Remo e Paysandu.
A proposta de recondução do Fluminense e do Bahia à Série A nem sequer foi cogitada, segundo Carneiro. ‘‘Se for para começar a Liga com essa decisão, então não contem comigo’’, afirmou. Na sua opinião, seria um vício de origem imperdoável. O dirigente disse que foi o único presidente de clube que se manifestou por escrito contra a ‘‘virada de mesa’’ que evitou o rebaixamento de Fluminense e Bragantino para a Série B no último campeonato. ‘‘Nós queremos mudar a imagem do dirigente brasileiro.’
Carneiro garante que outros integrantes do Clube dos 13 são contra o perdão a Fluminense e Bahia. O presidente da Abrascef discorda dos que consideram que a Lei Pelé moraliza o futebol brasileiro. ‘‘Não moraliza; ajuda a organizar’’, argumenta. ‘‘Se fosse assim, deveríamos transformar o Congresso em S/A.’
O dirigente baiano criticou o texto da Lei do Passe, que, segundo ele, diminui o apelo dos clubes à iniciativa privada. ‘‘Limitar o período do primeiro contrato do atleta revelado nas divisões de base é um erro absurdo’’, considera. ‘‘O Pelé dá com uma mão e tira com a outra.’ Mesmo favorável ao projeto de reformulação do esporte brasileiro, ele espera que o Senado corrija o que chama de falhas da Lei.

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