Brasilia, 10 (AE) - A medida provisória que proíbe empresas estrangeiras de administrar mais de uma equipe de futebol estarreceu os parlamentares dirigentes de clube, que já contabilizam prejuízos com a novidade. "O Sport Recife está ameaçado de perder um contrato de US$ 200 milhões com um grupo financeiro estrangeiro em razão da edição da MP", afirmou o deputado Luciano Bivar (PSL-PE), presidente do clube e um dos articuladores do lobby do setor no Congresso.
Segundo Bivar, os deputados vinculados a clubes de futebol devem se reunir ainda amanhã para estudar formas que evitem a votação do assunto pelo Congresso Nacional este mês, para que a restrição seja retirada pelo próprio governo federal no momento em que a MP for reeditada, no final do mês.
"Agora que os clubes querem ganhar dinheiro, o governo vem e se mete no meio", se queixou Bivar, indagando: "Quantas empresas no Brasil são interligadas ou dominadas por um único grupo e ainda assim funcionam?".
Segundo Bivar, caso o Náutico, o Sport e o Santa Cruz, principais clubes de Pernambuco, sejam administrados por uma única empresa, o efeito disto será nulo.
"É evidente que o futebol só é um negócio economicamente interessante se existir rivalidade e competitividade entre as equipes", disse.
Embora o Ministério dos Esportes e do Turismo tenha interesse em votar a matéria ainda esta semana, uma questão que não tem relação alguma com o futebol poderá beneficiar os dirigentes: os partidos de oposição no Congresso devem obstruir as sessões enquanto não se encerrarem negociações de rolagem da dívida de pequenos produtores rurais, evitando a votação da MP dos Clubes.