Clubes pensam em arenas multiuso, mas precisam saber administrar
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
Almir Leite <br> Agência Estado 
São Paulo - A Copa do Mundo de 2014 inaugurou uma nova onda no futebol brasileiro: a construção de arenas multiuso. Equipamentos para o Mundial à parte, vários clubes já estão erguendo ou têm planejada a nova casa. São, entre outros, os casos de Palmeiras, Grêmio, Ponte Preta, Sport e Santos. Esses clubes estão de olho nos lucros que praças capazes de abrigar jogos, shows e oferecer uma gama de serviços podem proporcionar. Um detalhe, porém, parece passar despercebido: depois de prontas, quem vai operar as arenas? O Brasil não possui expertise na área e o gerenciamento equivocado pode transformar um potencial ótimo negócio em tremenda dor de cabeça.
Para uma arena dar lucro, precisa ser operada por empresa familiarizada em itens que vão desde a segurança do público à venda de eventos passando por limpeza e manutenção. Um cuidado é fundamental ao se planejar uma arena. ''O ideal é que um operador participe desde o momento de sua concepção. Não é recomendável um (uma empresa) construir e outro operar'', disse João Gilberto Vaz, vice-presidente de parceiras estratégicas da Arena do Brasil, subsidiária da Amsterdam Arena, considerada o equipamento mais bem administrado da Europa.
O risco da não integração nessa fase de concepção de projeto é o de, depois de pronta, a arena não oferecer as condições necessárias para determinado tipo de evento.
Erros de concepção podem custar caro, alerta Ricardo Azevedo, professor de comunicação e marketing e autor do livro O Brasil e a Copa do Mundo. ''Há o risco de precisar reformar a arena logo depois da inauguração, para que possa atender ao que dela se esperava no início do projeto. A participação da operadora é importante desde o início''.
O problema é que os clubes ''esqueceram-se'' do detalhe chamado operadora ao desenvolver seus projetos. ''Não contratamos'', admitiu Rogério Dezembro, diretor de novos negócios da WTorre, responsável por erguer a Arena Palestra. ''Mas certamente nos ligaremos a alguém que saiba como operar''. Ao menos a construtora recorreu à Amsterdam Arena ao conceber o projeto, o que pode evitar pesadelos futuros. O espaço multiuso deve estar pronto em 2013 e a construtora espera recuperar os R$ 330 milhões que serão investidos em cerca de 15 anos. Depois, será hora de lucrar.
Ainda dá tempo. Os especialistas consideram que as arenas de clubes estão sendo concebidas de maneira errada, mas dizem ainda ser possível a correção. ''É preciso acordar logo'', enfatizou João Vaz, que alerta: ''Arena é uma coisa, estádio é outra''. Ricardo Azevedo acrescenta: ''A operadora precisa entrar logo em campo''.


