Arquivo FolhaExpectativaTorcida do Atlético em jogo do Campeonato Paranaense deste ano: vibração na competição de 98 depende de uma mudança no calendário da FederaçãoO possível adiamento do Campeonato Paranaense de 98, do primeiro para o segundo semestre, caso o Atlético continue suspenso por um ano de suas atividades, encontra resistência na maioria dos dirigentes de clubes do interior consultados pela Folha. A alteração do Estadual foi proposta pelo presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura, para garantir a participação do rubro-negro, que foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiba (STJD).
A resistência à mudança é mais forte dos clubes que pretendem disputar as Séries B e C do Capeonato Brasileiro e já montar uma base para o regional do próximo ano. ‘‘O Atlético que resolva o problema dele’’, protestou o presidente do Ponta Grossa, Antonio Luiz Mikulis, ao se posicionar contra a proposta da FPF de transferir o Paranaense-98 para o segundo semestre. Na opinião de Mikilus, ‘‘a Federação não pode prejudicar as demais equipes, que serão obrigadas a ficar um ano sem atividades, para resolver a situação de apenas um clube’’.
Segundo o dirigente, além de prejudicar o futebol paranaense, a proposta também sacrificaria os jogadores, principalmente das equipes do interior, que podem ficar um ano sem contrato, ‘‘sem ter onde trabalhar’’.
O Londrina também é contra a idéia de transferir o Paranaense-98. ‘‘Somos solidários ao Atlético, mas não podemos ser prejudicados. Este adiamento é inviável. O segundo semestre está reservado para o Campeonato Brasileiro, e é impossível realizar o Estadual e o Nacional simultaneamente’’ - explicou o advogado Mauro Viotto, diretor de futebol do Tubarão.
Viotto coloca algumas questões: ‘‘Como é que ficam os outros clubes do interior paranaense, que terão que ficar um ano parados se o Paranaense for retardado?’’ E conclui: ‘‘Por inúmeras razões, a mudança é absolutamente inviável’’
O presidente do Maringá, Domingos Trevisan, disse que é solidário ao Atlético, mas considera a possibilidade de iniciar o Campeonato Paranaense em agosto do ano que vem, totalmente inviável aos clubes do interior. ‘‘Os clubes do interior vão viver do quê até agosto de 98?’’, indaga. Segundo ele, a Federação pode até atrasar o calendário do Estadual, desde que crie um torneio extra. ‘‘A Federação pode por exemplo criar um torneio sem a participação do Atlético, valendo vagas para a Copa do Brasil’’, argumenta.
Para Trevisan, a punição ao Atlético foi uma injustiça. ‘‘Estamos solidários ao Atlético, mas não podemos esquecer das nossas necessidades porque não temos como manter o time sem jogo durante praticamente um ano’’, justifica.
A proposta de transferir o campeonato para o segundo semestre é uma idéia que precisa ser discutida e amadurecida, na opinião do presidente do Apucarana, Jesus Vicentini.
‘‘É claro que não concordamos com a punição imposta ao Atlético, e que sem a sua presença o campeonato perderia um de seus principais atrativos’’, pondera Vicentini, reiterando que ‘‘o Atlético é uma grande equipe, com jogadores de renome nacional, e constitui-se atração em qualquer canto do Paranᒒ.
No entendimento do dirigente apucaranense, a mudança criaria problema para os times que disputam o Campeonato Brasileiro. ‘‘No nosso caso, não haveria tanto problema. A maior dificuldade seria montar calendário para os clubes que vão disputar as Séries A e B do Brasileiro’’, argumenta Jesus Vicentini.
No Cascavel, não se faz qualquer projeção para a próxima temporada, mas sim para o futuro do clube. Segundo o gerente-geral, Emílio Martini, ‘‘a tendência é parar o futebol aqui’’. Não há presidente nem diretoria, e muito menos perspectiva de recursos financeiros. Emílio responsabilizou-se pelo time ainda no início da temporada, depois da renúncia da diretoria.
‘‘Pela situação em que estamos, nem pensamos em discutir o próximo campeonato’’, resumiu Martini.
O Toledo (também sem presidente) vive situação comum a de outros clubes do interior, que montam elenco apenas às vésperas do início do campeonato, desativando-os imediatamente ao final, e para os quais não altera muito qualquer mudança de calendário ou longa inatividade.
A opinião dos dirigentes do União Bandeirante e do Matsubara, publicadas pela Folha na última terça-feira, é semelhante à dos demais. (Participaram da reportagem: Flávio Campos, Paulo Pegoraro, Giovanni Ferreira, Maurício Borges e Lucinéia Parra)

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