Belo Horizonte, 18 (AE) - Atlético-MG e Cruzeiro, que há anos pleiteiam junto ao governo mineiro, sem sucesso, o direito de assumir a gestão do estádio Mineirão, pertencente à administração estadual, estão estudando a possibilidade de construção de um novo estádio, em parceria. A sugestão partiu, esta semana, do assessor da presidência do Atético, Alexandre Kalil. A idéia é que os dois clubes façam sociedade para erguer, em prazo de até sete anos, um grande estádio na capital mineira, cujos lucros e custos seriam divididos.
A idéia foi vista com reservas pela diretoria do Cruzeiro, que já está firmando acordo com a empresa norte-americana Hicks, a mesma que fez parceria com o Corinthians, visando, entre outros objetivos, a construção de um estádio de 40 mil lugares, com orçamento de US$ 60 milhões. De acordo com o presidente do clube, José de Oliveira Costa, o "Zezé Perrella", é difícil que a Hicks - que dentro de 15 dias deve investir US$ 20 milhões no Cruzeiro - "aceite mais um parceiro na empreitada".
Também o presidente do Atlético, Nélio Brant, considerou o projeto, à princípio, de difícil realização. "Acho que temos que insistir na idéia de um comodato com o governo do Estado, para administrarmos o Mineirão", disse. Na verdade, o que tanto Cruzeiro quanto Atlético buscam são alternativas para eliminar dos altos custos e até de prejuízos causados nos jogos realizados no Mineirão.
O assessor de Perrella, Valdir Barbosa, explica que, em uma partida do Cruzeiro cujo público seja de 25 mil pessoas, por exemplo, cerca de 40% da renda - R$ 80 mil de um total de R$ 200 mil arrecadados, aproximadamente - são gastos em taxas. "Pelas regras do Brasileiro deste ano, o clube mandante fica com a renda toda do jogo", diz.
"No caso do Mineirão, porém, temos que pagar 10% à Ademg, que administra o estádio, outros 10% à Federação Mineira e até INSS à Prefeitura da capital, entre outras taxas, o que o Cruzeiro não considera justo", acrescenta.
Barbosa lembra ainda que o clube não tem direito a porcentuais sobre nenhuma das atividades comerciais que acontecem no estádio, em dias de jogos. "Um campo próprio, moderno e confortável, nos daria a possibilidade de obter recursos com estacionamento e venda de diversos produtos."
Há dois meses, o Atlético-MG também encontrou um caminho para escapar do prejuízo gerado no Mineirão. O clube fez parceria, com prazo de 30 anos, com o América MIneiro para a administração e utilização do estádio Independência, na Zona Leste da capital. A idéia foi do diretor-executivo do Atlético e
ex-técnico da seleção brasileira de vôlei, Bebeto de Freitas. Com o apoio de empresas privadas, o clube fez reformas no estádio e ampliou a capacidade de 20 mil para 35 mil torcedores. O estádio já passou a ser chamado de "alçapão do Galo". "Estamos bastante satisteitos tanto no aspecto financeiro quanto em relação ao apoio da torcida", diz Freitas.

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