Curitiba - Garotos instalados em condições precárias, isolados da família, com uma baixa (ou nenhuma) remuneração financeira e sob excesso de treinamentos físicos para a idade. Esse lado obscuro do futebol está sob as luzes do Ministério do Trabalho que desde 2007, investiga a exploração de crianças e adolescentes por clubes de futebol e empresários.
Estarrecido com a realidade encontrada no processo de formação de atletas em alguns times paranaenses, o órgão, através das procuradoras Margaret Matos de Carvalho e Cristiane Sbalqueiro Lopes, convocou os representantes dos clubes para discutir em uma audiência realizada ontem, em Curitiba, um termo de compromisso para preservar direitos mínimos dos futuros jogadores que têm sido violados. ''Nas inspeções encontramos nos alojamentos, banheiros em situação precária, insalubre, com jornal pelo chão e longe do convívio familiar, onde só é possível fazer uma ligação por ano para a família e ainda assim cobra-se por isso'', comentou a procuradora Margaret Matos.
Outra constatação foi o distanciamento dos adolescentes com a escola. De acordo com a procuradora, em virtude dos jogos e treinos, percebeu-se que os garotos perdem muitas aulas e acabam abandonando os estudos e sem esse direito, caso não se transformem em jogadores profissionais, ficam fora do mercado de trabalho, o que gera problemas sociais no futuro.
O termo, entre outros itens, proíbe que sejam mantidos nas categorias de base jogadores com menos de 14 anos. A determinação, entretanto, esbarra na Lei Pelé e na tendência dos clubes em profissionalizar, precocemente, os jogadores para que sejam valorizados rapidamente.
A reunião contudo não avançou como o MPT imaginava, mas os clubes louvaram a iniciativa e se mostraram favoráveis à discussão. ''Ninguém é contra isso, os direitos das crianças e dos adolescentes estão acima de qualquer coisa. O único senão é ajustar à realidade uma série de medidas desse termo. Na linguagem do futebol, podemos dizer que é preciso fazer um meio-de-campo para não ferir a lei e nem prejudicar o clube'', disse Diogo Fadel Braz, advogado do Atlético.
Os nomes dos clubes que apresentaram irregularidades foram mantidos em sigilo, mas alguns times que formam jogadores no interior e que realizam testes com jogadores do Norte do país e do interior de Minas Gerais, conforme revelou a procuradora, são os que mais descumprem a lei.

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