São Paulo - A Associação Européia de Clubes (ECA) se pronunciou ontem contrária à obrigatoriedade de cessão de jogadores nascidos a partir do dia 1º de janeiro de 1985 que foram convocados para a disputa do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos de Pequim. A entidade, que nasceu em janeiro como substituta do G-14, emitiu um comunicado oficial afirmando que considera opcional a liberação de tais atletas, indo contra as determinações da Fifa.
''A obrigação de ceder jogadores para as seleções conforme estipula o regulamento da Fifa não pode ser aplicada neste caso. Por isso, a ECA apóia os clube, que podem ficar sem poder utilizar importantes jogadores durante esse tempo'', afirma uma carta assinada pelo presidente do órgão, o alemão Karl-Heinz Rummenigge.
Por outro lado, o presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, voltou a defender ontem a obrigatoriedade da liberação dos atletas, colocando-se ao lado das seleções nacionais na disputa contra os clubes europeus. ''A cessão de jogadores menores de 23 anos sempre foi obrigatória para todos os clubes. O mesmo princípio deve ser aplicado para Pequim-2008. O argumento de que o torneio não está incluído no calendário internacional não significa que a obrigatoriedade da liberação (dos atletas) não existe'', afirmou.
Algumas seleções têm enfrentado a resistência dos clubes na cessão de jogadores com idade máxima de 23 anos. A Argentina, por exemplo, ainda negocia com o Barcelona para ter o meia-atacante Lionel Messi em Pequim. Segundo o presidente da Associação de Futebol da Argentina, Julio Grondona, o presidente do clube catalão, Joan Laporta, pediu a liberação do atacante. ''Ele me pediu para que a Argentina não levasse Messi aos Jogos. Respondi que não poderíamos abrir precedente'', contou.
No Brasil, o lateral-direito Rafinha (Schalke 04) e o meio-campista Diego (Werder Bremen) viajaram para se apresentar ao técnico Dunga sem autorização de suas equipes, que ameaçam levar os casos para o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), em Lausanne (Suíça).

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