Marcelo AlmeidaPara profissionaisPresidentes de clubes reunidos no Arbitral da FPF apóiam a idéia de se criar a nova FederaçãoOs presidentes dos principais times de futebol profissional do Paraná estudam a possibilidade de criar uma nova entidade para gerir e organizar o Campeonato Paranaense de Futebol Profissional. Ela substituiria a atual Federação Paranaense de Futebol, que está afundada em dívidas, ao ponto de ter o presidente Onaireves Moura afastado por decisão judicial.
A idéia está ganhando força entre os dirigentes das 12 equipes que disputam a primeira divisão do estadual - Coritiba, Atlético, Paraná Clube, Rio Branco, Maringá, Iraty, União Bandeirante, Londrina, Ponta Grossa, Apucarana, Francisco Beltrão e Matsubara. Os clubes não querem trabalhar apenas para pagar as dívidas da Federação Paranaense de Futebol que estão estimadas em R$ 14 milhões, enquanto a receita mensal, com o início do campeonato paranaense, está prevista em apenas R$ 60 mil.
A nova entidade, que poderá ser denominada de Federação Paranaense de Futebol Profissional, substituiria a atual Federação, reunindo somente as equipes de futebol profissional, excluindo as ligas amadoras. ‘‘Hoje, quem tem o poder de eleger o presidente da FPF são as ligas amadoras, que somam mais de 230 votos. Entretanto, quem sustenta a Federação são os clubes profissionais’’, afirmou o presidente do Atlético Paranaense, Ademir Adur.
O presidente do Paraná Clube, Dilso Rossi, comentou que esta discussão ainda está no campo das idéias. ‘‘Todos os dirigentes concordam que se deve discutir uma saída para os problemas da FPF. Entendo que os clubes deveriam aproveitar o clima favorável para mudar o futebol do Paranᒒ, disse Rossi. O presidente do tricolor concorda que a melhor alternativa, seria a criação da Federação Paranaense de Futebol Profissional. ‘‘Seria o ideal, mas temos de encontrar um caminho que não conflite com a CBF’’, assinalou Dilso Rossi.
CBF João Jacob Mehl, presidente do Coritiba, comentou que a discussão deve seguir dentro das normais da CBF. ‘‘Não podemos criar nada a revelia da Confederação’’, disse Mehl. ‘‘Primeiro o Piana (Darci, presidente da FPF, eleito segunda-feira) deve fazer um rescaldo do que sobrou da Federação. Além disso, o interventor (Vicente Paschoal Rodacki), tem de completar a auditoria para mensurar a dívida real da FPF. Com isso ficaria provada a insolvência da entidade’’, disse João Jacob Mehl.
O presidente do Coritiba enfatizou que a criação de um federação profissional só seria feita com a participação e anuência da CBF. ‘‘Como estamos prestes a ver aprovada a Lei Pelé, é possível que a CBF não veja com bons olhos a criação de uma federação profissional e confunda-a com uma liga independente’’, comentou João Jacob Mehl.
Ele acredita que a administração profissional, com um dirigente remunerado, seja a melhor solução. ‘‘O dirigente seria escolhido pelos clubes, tendo o respaldo das agremiações. O nosso pensamento é que a pessoa que vai comandar e organizar as competições profissionais tem de trabalhar exclusivamente na Federação’’, disse Mehl. Alguns representantes dos clubes paranaenses - três da capital e outros três do interior - formariam o conselho de administração. ‘‘Isso é somente uma idéia, que deve ser discutida adiante, quando o processo todo se iniciar’’, comentou o presidente alviverde.
Dívida A dívida da Federação Paranaense de Futebol, estimada em R$ 14 milhões, é impagável, segundo os dirigentes dos clubes paranaenses. Com uma receita mensal de cerca de R$ 60 mil, a FPF levaria mais de 19 anos para pagar todos os credores, sem sobrar nada para qualquer outra atividade, e ainda sem computar os juros pelos parcelamentos e possíveis atrasos.
‘‘O nosso argumento é perguntar se a Confederação Brasileira de Futebol está disposta a assumir esta dívida e manter a estrutura atual da FPF, ou prefere que os clubes iniciem um reformulação, criando uma nova entidade, dirigida por profissionais’’, explica João Jacob Mehl.
O presidente interino da Federação, Darci Piana, deve se reunir ainda hoje com os diretores da CBF, no Rio de Janeiro, para mostrar a proposta dos clubes paranaenses de criar uma nova Federação e discutir a situação atual da FPF. Ele está encarregado de mostrar aos dirigentes da Confederação que a FPF, do jeito que Moura a deixou, está atrapalhando o futebol do Paraná.

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