Clubes estão na mira da Justiça
Os clubes e entidades esportivas que receberam verbas da prefeitura entre 1998 e 1999 e não prestaram contas sobre destino do dinheiro vão ter que explicar à justiça onde utilizaram os recursos, sob pena de responderem criminalmente, como co-responsáveis, sobre o fim dado às verbas públicas.
A declaração é do promotor de Defesa do Patrimônio Público Bruno Galatti, que falou à imprensa ontem após ouvir, por mais de duas horas, ao lado da promotora Solange Vicentini, o depoimento do ex-assessor de esportes do município, Paulo Vicente Viana. Ele foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o repasse de recursos do município para o Grêmio Recreativo e Literário Londrinense e outros clubes.
Segundo Viana, em depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, anteontem, o dinheiro repassado aos clubes era devolvido à prefeitura, que redistribuia entre outras entidades. Na ocasião, ele admitiu que era o responsável por levar os cheques nominais aos clubes para representantes da diretoria endossarem. Depois, descontava os cheques, fazia a redistribuição ou entregava o dinheiro ao ex-secretário de esportes, Gino Azzolini. Conforme ele, os beneficiados não costumavam informar sobre o destino dado às verbas.
De acordo com o promotor, que não quis detalhar o conteúdo do depoimento de Viana, as irregularidades são visíveis, pois o dinheiro foi movimentado sem prestação de contas. Ele comentou que o Ministério Público vai investigar a natureza dessas movimentações, inclusive checando se as entidades apresentaram projetos explicando sobre a utilização das verbas.
Ele esclareceu que todos os que assinaram e endossaram cheques ou receberam dinheiro vão ter que prestar contas. Se não estiver de acordo com a lei, vão ter que devolver o dinheiro. Quem participou dessa cadeia é co-responsável pelo destino da verba e vai responder criminalmente, explicou.
O MP deve ouvir algumas pessoas citadas por Viana ontem, entre eles o ex-secretário Geral da Prefeitura, Gino Azzolini; membros da atual diretoria do Grêmio; membros da antiga diretoria, incluindo o ex-presidente do clube e atual prefeito Jorge Scaff; Amarildo Vieira Martins, diretor de futebol da Associação Portuguesa Londrinense e um representante da Liga de Futebol Amador de Londrina.
Após o depoimento aos promotores, Paulo Vicente Viana não quis falar à imprensa sobre o teor de suas declarações. Disse as mesmas coisas que contei à CEI, relatou. Questionado sobre três cheques no valor de R$ 60 mil emitidos em nome do Londrina Esporte Clube, que o diretor financeiro da associação, Paulo César Chaves, afirmou à Comissão que não teria recebido, ele disse que não sabia de nada. Eles que procurem, para ver onde os cheques foram depositados.
Ontem, o vereador Orlando Bonilha (PDT), relator da CEI que investiga as irregularidades no repasse das verbas para o esporte, pediu demissão do cargo. No lugar dele assume o vereador Osvaldo Bergamin (PMDB). Bonilha alegou que as investigações devem se estender não apenas ao Grêmio, mas aos outros clubes sociais envolvidos. Também acha que o prazo de 20 dias determinado para fazer todas as investigações não é suficiente para apurar os fatos. O ex-secretário Gino Azzolini deve prestar esclarecimentos na segunda-feira.





