A maioria dos clubes esportivos do Paraná deve para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A Folha teve acesso à lista de devedores do Instituto, que aponta o Clube Atlético Paranaense como maior devedor do Estado, com R$ 1,2 milhão. Em segundo lugar está o Londrina Esporte Clube, com R$ 754 mil. Outros clubes aparecem na lista como é o caso do Paraná Clube, R$ 256 mil; Clube Atlético Paranavaí, R$ 149 mil e do Francisco Beltrão, com R$ 32 mil. O Coritiba é o clube da capital que menos deve: R$ 80 mil.
A lista da dívida dos clubes extintos ou inativos também é grande. O Grêmio de Esportes Maringá fechou as portas com um saldo devedor para o INSS de R$ 618 mil. O Guarapuava Esporte Clube, que nunca emplacou no Campeonato Paranaense, deve R$ 293 mil. Até o mesmo o Toledo Esporte Clube está na lista, com R$ 154 mil. O Operário Ferroviário Esporte Clube tem saldo com a instituição de R$ 50 mil. O Apucarana tem obrigações de R$ 62 mil.
Os clubes negam que estejam em atraso com a Previdência e acenam problemas de repasses da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para o INSS.
Em 1993 os clubes fizeram um acordo com o Ministério da Previdência para saldar dívidas até aquele período com o INSS. As equipes deduziriam 5% do valor bruto das rendas das partidas para pagar o parcelamento. A FPF foi escolhida pelo órgão como interveniente, para retirar o valor diretamente do borderô e ser responsável pelo repasse do dinheiro arrecadado.
Atlético, Coritiba e Paraná dizem que iniciaram as amortizações em 93. O tricolor abandonou esse sistema quando optou pelo Refis em fevereiro do ano passado após detectar alguns problemas no repasse. Agora espera pelos extratos de débitos para saber se os valores pagos através dos borderôs foram deduzidos corretamente.
Segundo os dirigentes de Atlético e Coritiba, os clubes zeram o parcelamento até o final do ano. Eles prometem que quando as planilhas acusarem o final dos débitos, paralisam o pagamento. Se aparecerem problemas, os departamentos financeiros do trio de ferro já têm em mãos recibos, que comprovam que seus compromissos foram honrados.
O presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, nega que a entidade tenha deixado de repassar para o INSS qualquer alíquota retida nos borderôs. ‘‘A Federação repassa tudo para o INSS. Nós estamos com nossas contas em dia. Nós fizemos o Refis, programa de refinanciamento de dívidas do INSS, no ano passado e acertamos todas as nossas pendências’’.
Em Curitiba, os fiscais do INSS alegam que precisam acionar o Departamento de Cobrança para descobrir em quantas andam os parcelamentos. E concordam que esse é um processo demorado e custoso. Para eles a confecção de um carnê facilitaria em muito o trabalho e agilizaria o processo de fiscalização dos clubes envolvidos.
O presidente Ênio Ribeiro, do Paraná, diz que o clube aderiu ao Refis. ‘‘O clube está em dia com suas obrigações no INSS desde fevereiro do ano passado. No final do ano passado tiramos uma certidão negativa que não mostra nada’’.
O presidente do Coritiba, Francisco Araújo, também afirma que o clube está em dia com suas obrigações com o INSS. ‘‘Nós conseguimos um acordo judicial para pagar parte das nossas dívidas em 240 meses. Com relação às dívidas renegociadas e descontadas após cada partida e retidas pela Federação Paranaense de Futebol (FPF), relativas ao acordo 13/93, também estão rigorosamente em dia. Temos todos os borderôs, assinados pelo tesoureiro da FPF, para provar o desconto’’.
Os atleticanos negam que em qualquer momento deixaram de repassar para a Federação os valores referentes a negociação do edital 13/93 e se baseiam em documentos, assinados pelo tesoureiro da FPF, para provar a veracidade. O diretor superintendente Alberto Maculan admite que o Atlético deve apenas R$ 102.868,59 e não R$ 1,2 mi, dados atualizados em 25 de fevereiro.
O presidente em exercício do Londrina, Agostinho Miguel Garrote, admitiu que este ano o tributo descontado dos atletas está sendo recolhido nos bancos. Segundo ele, o fundo de garantia dos funcionários da sede campestre vem sendo recolhido ‘‘em dia há quatro anos’’. Ele reconheceu o débito do clube e está disposto a negociar. ‘‘Se formos procurados vamos encontrar uma maneira de propor uma forma de pagamento’’, disse ele.
Também do borderô são deduzidos outros 5% a título da contribuição normal, que substitui a tabela de contribuição dos trabalhadores, que varia de 7,72% até 11%.

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