São Paulo - Bastou a Justiça do Trabalho liberar Nilmar do Corinthians, no início da semana, para o craque novamente virar objeto de desejo de dez entre dez clubes brasileiros. Nem todos, porém, com cacife para bancar o atacante, que voltou ao Brasil em 2005, pelas mãos da MSI, a moribunda parceira do Corinthians. Apesar do pouco tempo de permanência no Parque São Jorge, tendo de enfrentar duas sérias cirurgias de joelho, o paranaense de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio) provou ter futebol para jogar em qualquer equipe do mundo.
Justamente por isso, não são apenas os grandes clubes brasileiros que sonham com o craque em suas fileiras. A decisão da Justiça do Trabalho começa a repercutir pelo mundo afora e o empresário do atleta, Orlando da Hora, certamente não terá dificuldades para ver seu cliente vestindo a camisa de uma potência - seja brasileira, seja de outro país.
Como a concorrência é desleal, por conta do milionário futebol europeu, os clubes brasileiros em condições reais de bancar a contratação de um atleta como Nilmar usam o que têm de melhor na tentativa de seduzir o craque e seu empresário. É dessa forma que começam a pipocar propostas de São Paulo, Santos e Internacional. Até o Fluminense estaria interessado em ver o atacante dando o ar da graça nas Laranjeiras.
Claro que muitos outros grandes da Série A do Campeonato Brasileiro gostariam de ter Nilmar. Mas da mesma maneira que falta dinheiro, faltam argumentos para o sonho ganhar status de assédio.
O São Paulo tem como um de seus trunfos Muricy Ramalho. O técnico conhece Nilmar desde as categorias de base do Internacional. Foi ele quem lançou o atacante, que não demorou a estourar. Resultado: foi negociado com o Lyon, da França, e o clube gaúcho encheu os cofres.
Além do treinador, a diretoria do Morumbi aposta na invejável estrutura do clube. Todo jogador que desembarca por lá faz questão de deixar claro que na escolha pelo São Paulo pesou a organização do clube. Fator decisivo para o time vir disputando títulos importantes há, pelo menos, dois anos. Dentro dessa idéia, Nilmar se encaixaria perfeitamente no projeto da Libertadores de 2008, apesar de o São Paulo ainda não ter vaga assegurada no torneio.
O torneio sul-americano também pode servir de argumento para os outros três interessados: Santos, Internacional e Fluminense. O time da Vila Belmiro tem a seu favor o técnico Vanderlei Luxemburgo, que tem boa lábia e sabe como poucos tirar o máximo de qualquer jogador. E investir em um craque não seria problema para o presidente Marcelo Teixeira, que não pensou duas vezes em desembolsar R$ 500 mil mensais para ter Zé Roberto.
Dinheiro também não é problema para o Inter. Afinal, o clube acaba de faturar uma bolada com a venda do jovem Alexandre Pato para o Milan. Do montante de US$ 30 milhões (cerca de R$ 60 milhões), o Inter ficou com US$ 20 milhões. A favor dos gaúchos conta também o fato de Nilmar ter sido revelado no Beira-Rio. Há ainda o desejo particular da namorada do craque, Laura, torcedora do Colorado.
Correndo por fora, o Fluminense começa a dar sinais de querer entrar nessa disputa. No entanto, ninguém no clube fala abertamente sobre o assunto. Segundo o ex-jogador Branco, coordenador de futebol, é dessa maneira que o clube tem de agir. O investimento viria da patrocinadora Unimed, que já bancou a chegada de alguns nomes de peso no clube carioca.
Exterior - A Europa também quer Nilmar. Orlando da Hora informou que recebeu apenas uma proposta oficial - e disse que foi de um time do futebol europeu. O Werder Bremen, da Alemanha, já sondou o jogador.
O time alemão anda desesperado atrás de um atacante, depois de perder o goleador Klose para o rival Bayern de Munique e dar azar com a contusão de Hunt. A diretoria se esforçou em contratar o garoto Martin Fenin, do Teplice, da República Checa, mas se assustou com a fortuna pedida, já que ele se valorizou muito na campanha do vice-campeonato mundial Sub-20. Resultado: o Werder acabou contratando apenas o marfinense Sanogo, que pertencia ao Hamburgo, mas o africano não vem rendendo o esperado.
Nilmar já foi um dos nomes comentados no clube, mas o Werder ficou com receio de investir em um jogador em meio a um imbróglio. Agora, a situação é diferente. Além disso, os alemães ficaram animados em investir em jogadores brasileiros, depois do sucesso do meia Diego. Tanto que também levaram para lá o meia Carlos Alberto, ex-Fluminense e Corinthians.

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