Fundada em 2017, a Liga de Futsal do Paraná finalmente saiu do papel com o objetivo de profissionalizar ainda mais a modalidade no Estado. Com a participação de 16 clubes, a primeira competição da entidade já está em andamento. A iniciativa, no entanto, gerou uma resposta forte da FPFS (Federação Paranaense de Futebol de Salão), que chegou a multar e a suspender alguns clubes.

Nos mesmos moldes da Liga Nacional, a Liga de Futsal Paraná é composta por franquias e cada clube garantiu uma vaga por R$ 60 mil. A associação agrega clubes das três divisões do futsal paranaense.

Da Série Ouro participam Cascavel, Campo Mourão, Copagril/Marechal Cândido Rondon, Dois Vizinhos, Foz do Iguaçu, Marreco/Francisco Beltrão, Palmas, Pato Branco e Toledo. Da Série Prata os representantes são Guarapuava, Chopinzinho, Faxinal, São Miguel do Iguaçu e Siqueira Campos. Da Bronze, Medianeira e Prudentópolis. Outros clubes já manifestaram interesse em se filiar a partir de 2020.

O objetivo dos clubes com a Liga é se unirem para buscarem recursos e amenizar as dificuldades financeiras das equipes. A primeira competição está sendo disputada em formato mata-mata para se adequar ao calendário e já conta com um patrocinador máster que banca as despesas de viagem, hospedagem, arbitragem, além de uma premiação aos primeiros colocados.

Integrante da Liga de Futsal do Paraná, Campo Mourão está nas oitavas de final da Liga Nacional
Integrante da Liga de Futsal do Paraná, Campo Mourão está nas oitavas de final da Liga Nacional | Foto: Alisson Lima

“No Campeonato Paranaense não recebemos nenhum repasse da Federação. O Paraná é o único estado que tem seis representantes na Liga Nacional e todos estão na Liga Paraná. Este é um grande atrativo e diferencial que temos e precisamos aproveitar”, comentou Anderson Hertz, gestor do Campo Mourão. Todos os seis clubes paranaenses estão classificados para as oitavas de final da Liga Nacional, que começam no sábado (28).

Para o presidente do Pato Futsal, atual campeão nacional, Luiz Sérgio Lavarda, o nascimento da Liga Paraná chega para fortalecer ainda mais o futsal do Estado, que tem o melhor campeonato do país. “O Paranaense está completando 25 anos e tem 60 equipes na disputa, nas três divisões. O surgimento da Liga era um anseio dos clubes e será de grande valia para a nossa modalidade”, afirmou.

Punições

Assim como acontece em muitas modalidades no Brasil quando as federações correm o risco de verem a sua hegemonia interrompida, a Liga do Paraná sofreu grande pressão por parte da FPFS. Na semana passada, a entidade anunciou uma multa de R$ 10 mil e a suspensão da disputa do Campeonato Paranaense para as equipes do Foz, Guarapuava, Cascavel e Siqueira Campos, as primeiras a entrarem em quadra na competição organizada pela Liga.

“ A Federação sempre se mostrou muito aberta, até porque não se opõe e nem tem o direito de proibir a criação de qualquer entidade. A questão é que ninguém nos procurou e criou uma associação que desconhecíamos e com arbitragem não oficial”, ressaltou o advogado da FPFS, Eduardo de Vargas Neto. “Até por impeditivo legal dos estatutos da Confederação e da Fifa, não podemos chancelar uma competição com árbitros que não sejam oficiais”.

Os clubes recorreram da decisão, mas não conseguiram a reversão no TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da FPFS. O imbróglio só foi superado após uma reunião na terça-feira (23) entre representantes da Liga e da Federação. A FPFS cancelou a suspensão dos clubes e a multa e chancelou oficialmente a competição organizada pela Liga Paraná, que passará a contar com árbitros indicados pela Federação Paranaense, além de terem os casos de indisciplina analisados pelo TJD da FPFS. “Chegamos a um acordo a fim de prestigiar a modalidade e sobretudo às equipes. O grande ganhador é o futsal paranaense”, frisou Vargas Neto.

Liga e Federação voltam a se reunir em novembro para discutirem o calendário 2020. A tendência é que sejam realizadas duas competições, uma em cada semestre e cada uma organizada por uma entidade. “Independentemente da Liga ou não, os clubes já iriam propor uma reformulação no formato do Paranaense, que é muito longo. A ideia é fazer duas competições mais enxutas e criar uma Supercopa com os dois campeões. Acredito que com o diálogo se resolve tudo”, apontou Anderson Hertz.

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