Clubes da capital entram na briga por Clênio
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Artilheiro do Campeonato Paranaense com oito gols, ao lado de Marcelo Ramos, o atacante Clênio prometeu manter a cabeça focada apenas no Paranavaí. Os gols do jogador, que, por enquanto, sustentam o campeão estadual fora da zona de rebaixamento do Campeonato Paranaense, podem levá-lo para Curitiba. Vivendo um mal momento no setor ofensivo, Coritiba e Paraná Clube disputam o artilheiro.
O jogador disse que não chegou a receber uma proposta oficial de nenhum dos dois clubes, mas confirma que já foi sondado. ''Os dois estão bem interessados, mas tenho que ver o que é melhor para mim'', disse o jogador, que tem contrato até maio com o Paranavaí.
Aos 28 anos, o mineiro de Uberlândia vive um ótimo momento na carreira, apesar de o restante da equipe não ajudar. Seu objetivo? ''Quero ser artilheiro do Paranaense'', afirma sem titubear. ''A gente que está no futebol está sujeito a tudo. Eu estava determinado que seria um ano de muita felicidade para mim e eu estou num momento feliz. Só estou chateado porque a equipe não está bem. Tenho ambições e estou trabalhando para ir para um time grande, seja um desses dois (Coritiba ou Paraná) ou outro'', desabafou.
Para tanto, já faz seu próprio lobby. ''Quem contratar, pode ter certeza de que o Clênio vai dar o maior respaldo. Onde o Clênio passou foi campeão, foi goleador''.
E ele tem razão. No Paraná, conquistou a Copa 100 Anos com o Roma, em 2006, a Segunda Divisão, com o Nacional, em 2003, e foi semifinalista do Paranaense de 2006 com o Rio Branco. Ano passado, defendeu o ABC na campanha que levou a equipe potiguar de volta à Série B do Campeonato Brasileiro.
Essas são apenas algumas das camisas que o goleador vestiu. Em seu armário, estão os uniformes dos mais variados times brasileiros. Mirassol, Oeste-SP, Sampaio Correia-MA... A coleção só não é maior por causa de sua passagem pelo futebol europeu.
Aventura na Croácia
Ele passou seis temporadas na fria Croácia. Foi levado por um empresário croata, que tem fazenda no Paraná e o viu jogar no PSTC. De lá, trouxe ''um pezinho de meia'' e muitas lições. ''Eu tinha aquela ilusão de garoto, sabe. De ganhar dinheiro, ajudar a família. Deu para ganhar um dinheirinho, sim, mas a experiência serviu para eu descobrir que pau não era pedra'', contou, explicando logo em seguida o significado da expressão. ''Estava rodeado de empresários, não entendia a língua deles. Era complicado. Os empresários ganharam muito dinheiro em cima de mim, pois as negociações eram feitas entre eles'', revelou.
Clênio desembarcou na Croácia com 17 anos e muitos sonhos. Passou pelos percalços da quarta divisão de lá. Com o modesto Novalja, time de uma ilha segundo ele ''linda'', chegou até à segunda divisão, mas ele não ficou para ver o progresso do time. Foi contratado pelo Hajduk Split, um dos maiores times do país. Lá, disputou as eliminatórias para a Copa da Uefa. ''Enfrentamos o Mallorca (da Espanha), que tinha o Eto'o na época'', relembrou.
O tempo passou, a saudade da família aumentou. A mãe morreu e veio a depressão. Era hora de voltar para o Brasil. De volta a realidade dos salários baixos e dos calotes, ele comemora os patrimônios conseguidos graças ao dinheiro dos croatas e, espera resignado uma chance boa. ''Hoje eu tenho minha casa e meu carro para andar'', contou. ''Nunca dei o passo maior do que a perna. Vejo meus colegas desempregados. Nosso mundo (dos jogadores) é rápido, perigoso e traiçoeiro. Se não tivermos preparados psicológicamente, faz besteira''.
E é com esses ensinamentos que ele mantém os pés nos chão em relação à uma possível chance em um clube de maior expressão, como Coritiba e Paraná. ''Tenho que manter o profissionalismo, pois mexe com a gente. Podemos transformar a vida do dia para a noite. Mas eu vivo a realidade, que é o Paranavaí. Quando o momento chegar é que vou abraçar'', discursou.
Sobre a crise do Vermelhinho, que é o 13º colocado com sete pontos e um jogo a mais do que os rivais, ele deu a receita para mudar o quadro. ''Trabalhar, trabalhar e trabalhar. O time é bom, mas não encaixou ainda, não deu liga''.


