Clubes criam Liga de Futebol Profissional
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terça-feira, 26 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A tão falada Liga Brasileira de Futebol Profissional foi criada ontem, em São Paulo, após quase quatro horas de reunião entre os presidentes dos principais clubes do País. Mas o aspecto considerado inovador e mais importante pelos dirigentes nos discursos para a imprensa - a fiscalização das contas das agremiações e o controle rigoroso das finanças - parece que dificilmente sairá do papel.
Por causa da peculiaridade de alguns clubes, será difícil que a Liga tenha controle da situação, afirmou José Augusto Bastos Neto, presidente da Comissão de Sistematização da Liga, contrariando o discurso de praticamente todos os colegas.
Segundo Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 e homem-forte da Liga Brasileira, a nova entidade terá o poder de auditar as contas dos clubes e poderá até ajudar na quitação de dívidas. Caso as agremiações não obedeçam às regras de apresentar boa saúde econômica, elas podem ser desfiliadas. Equipes que não tiverem boas condições financeiras não poderão fazer grandes contratações, como vinha ocorrendo com o Flamengo nos últimos anos. A Liga deverá vetar. Pelo menos é o que está no estatuto.
A surpresa na reunião realizada em um hotel de São Paulo foi a presença de Júlio Lopes, vice-presidente do Flamengo, que havia abandonado o Clube dos 13. O dirigente assinou a ata e o clube se filiou à entidade, ao contrário do vinha dizendo o presidente Edmundo Santos Silva.
Estávamos discordando de algumas resoluções do Clube dos 13, mas a Liga Nacional será diferente, justificou Júlio Lopes. A criação da Liga é um momento histórico para o futebol brasileiro.
A Liga de Futebol toma das mãos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o Campeonato Brasileiro. Será responsável pela organização do torneio, que começará em 5 de agosto, com a presença de 26 times. A fórmula de disputa será a mesma do ano passado. Os 8 melhores avançam para as quartas-de-final e os quatro piores são rebaixados. A Liga comandará também a Série B (26 equipes). A Série C é o patinho feio da história, pois ninguém quer ficar com ela, mas pode sobrar para a Liga.
A CBF perde, assim, o poder do futebol no País. Passará a controlar apenas as diversas categorias da seleção brasileira. São Paulo será a sede. O nome do presidente sairá em 15 dias e não poderá ser o de nenhum dirigente de clube.


