Clubes cobram federação por cotas de tevê
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quarta-feira, 28 de março de 2007
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A verba de televisionamento do Campeonato Paranaense está causando polêmica entre os clubes que disputam o torneio. A maioria diz que não recebeu parcela referente aos direitos de transmissão, mas a reclamação maior é com a falta de prestação de contas do dinheiro arrecadado.
O campeonato deste ano foi vendido por R$ 350 mil à Rede Paranaense de Comunicação (RPC), retrasmissora da Globo no estado, que pagou antecipadamente à Federação Paranaense de Futebol (FPF). O valor não foi confirmado pela FPF, que alegou uma cláusula no contrato entre as partes que exigia sigilo nos valores para negar a informação.
Desse montante, os clubes considerados pequenos teriam direito a 3,84% - R$ 13.440 para cada um. Para o trio de ferro, estariam reservados R$ 49 mil para cada clube, enquanto a FPF embolsaria R$ 28 mil. Porém, o Atlético não aceitou sua parte e o dinheiro a que tinha direito deveria ser dividido entre os demais, ficando R$ 1,8 mil para os clubes pequenos. Além desse valor, ainda existe uma verba referente às placas de publicidade nos estádios, que também não foi divulgada.
''Não recebemos nenhum centavo. Pelo que sei, R$ 8,5 mil do que tínhamos para receber iriam para a tevê da FPF. E o restante? Poxa, R$ 13 mil para cada time é dinheiro de cachaça. Não tem cabimento'', reclamou Luís Carlos Bersani, um dos sócios do Cianorte. ''Bem fez o Atlético, que não aceitou''.
Luís Heitor Linhares, presidente do Engenheiro Beltrão, é outro que confimrou não ter recebido sua parcela. ''Que eu saiba, ninguém recebeu nada. Pelo que sei, uma parte iria para custear a FPFTV'', afirmou.
Peter Silva, do Londrina, informou que a parte do clube ficou na FPF para cobrir despesas do Tubarão com a entidade.
Mas a grande reclamação dos dirigentes é com a falta de informações. Segundo os cartolas, não há prestação de contas sobre o dinheiro recebido com a transmissão dos jogos. De acordo com os dirigentes, a última vez que receberam a planilha de receitas e despesas, foi em novembro do ano passado. ''Estamos aguardando a prestação de contas tanto dos direitos como das palcas de propaganda. Isso deveria ser mais transparente. A federação deveria explicar o motivo da falta de pagamento'', protestou o presidente do Cascavel, Sérgio Santos.
O presidente do Iraty, Sérgio Malucelli, foi o mais crítico. Ele revelou que, a exemplo do Atlético, não queria assinar o acordo de transmissão e só o fez após insistentes pedidos de outros cartolas. ''Nossa federação é muito fraca. Nem ligo para saber se vou receber ou não porque sei que não vou. Os clubes têm que dar graças a Deus se não tiverem que colocar algum (dinheiro). Essa é a triste realidade do nosso futebol paranaense'', disparou Malucelli.
Outros presidentes foram procurados, mas não quiseram opinar, a maioria por medo de represálias por parte da FPF.
Os clubes também reclamaram que não receberam as cotas de 2005 da transmissão feita pela TV Educativa, que fez também a Segunda Divisão, e de 2006, da CNT. ''Não recebemos e não vamos receber'', ressaltou Bersani.


