Rio, 26 (AE)- A um ano da obrigação de transformar o departamento profissional de seus clubes em empresas, os dirigentes do futebol carioca já se movimentam para formar parcerias com investidores. Essas sociedades darão aos dirigentes, então profissionais, condições de aprender a administrar o futebol para obter mais lucro para os clubes. Dos cariocas, o Vasco foi o pioneiro no estabelecimento dessas parcerias. Em agosto de 1998, o clube assinou com o Nations Bank um acordo que prevê a triplicação do faturamento vascaíno, em três anos. Hoje, essa quantia gira em torno de R$ 25 milhões/ano.
O Nations Bank, como outras instituiçõesn financeiras, viu no futebol brasileiro um grande negócio, mal administrado há anos. Com milhões de torcedores espalhados pelo País, o Vasco tem um grande potencial a explorar em licenciamento de produtos. Até então, um volume absurdo de dinheiro deixava de entrar nos cofres vascaínos, por meio da pirataria na venda de artigos com as cores e o escudo do clube.
Com novo fôlego financeiro, o Vasco terá amplas condições de se encaixar às determinações da Lei 9.615, ou Lei Pelé. "Faremos tudo como indicar a lei, mas não temos pressa para mudar nossas diretrizes", disse o presidente do Vasco, Antônio Soares Calçada.
No Flamengo, as negociações com investidores estão bem adiantadas. Segundo o vice-presidente jurídico, Rodrigo Dushee de Abrantes, brevemente será encaminhado ao Conselho Deliberativo do clube uma proposta de parceria. "Só nos resta chegarmos a um meio termo contratual", disse.
Abrantes alega que a determinação da lei, de transformar o departamento profissional em empresa, "é incostitucional, mas economicamente pode ser atraente".
"Tudo vai depender do acordo que cada clube fizer", analisou. Segundo o dirigente, o Flamengo precisa de capital de terceiros e só os bancos têm condições de dispor "essa injeção de recursos". O modelo preferido pelos dirigentes rubro-negros é o de manter o Clube de Regatas do Flamengo (CRF) como uma sociedade civil sem fins lucrativos, destacando-se o futebol, que vai virar uma empresa, a FlaPar. As ações desta empresa seriam divididas entre o CRF e os sócios proprietários do clube. O investidor ficaria responsável pelo lançamento de debêntures no mercado, que são garantidas financeiramente pelos credores rubro-negros.
No caso específico do Flamengo, essas debêntures têm um atrativo especial. Estima-se que elas possibilitem um alto retorno financeiro, num curto espaço de tempo. Além disso, os bancos que vão fechar acordo com o Flamengo - ainda mantidos sob sigilo - desembolsarão R$ 250 milhões em 10 anos e deterão 50% da receita financeira do clube. O contrato terá uma média de 25 anos.
O presidente do Botafogo, José Luís Rolim, revelou que tem feito no clube os ajustes necessários para a futura mudança. "Contratamos uma auditoria para saber como está a saúde financeira e administrativa do clube", disse. "A questão da obrigatoriedade fere o preceito constitucional", disse, reclamando da lei. "Mas sou favorável a que os clubes tenham o mesmo tratamento fiscal que as empresas", prosseguiu.
Rolim tem feito contatos com empresas interessadas em investir no ramo de entretenimento. "São bancos de investimento e até de varejo", revelou. "Segundo ele, até o final do primeiro semestre o Botafogo vai determinar os padrões para esse acordo.
A vitória de David Fischel à presidência do Fluminense estava vinculada a um acordo com o Banco Fonte Cidam. Fischel continuou no cargo e a parceria com o banco possibilitou, por exemplo, a contratação do técnico Carlos Alberto Parreira. Fischel acredita que o projeto de reestruturação do Tricolor carioca passa primeiro pelo retorno do time à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, depois pela profissionalização do seu departamento de Futebol. "Manteremos a parte social do clube administrada como sempre foi, pelos sócios", declarou.

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