Rio - Não que o Rio de Janeiro esteja passando incólume pela crise financeira mundial, mas seus efeitos sobre os times cariocas parecem menos acentuados dos que sobre os clubes de São Paulo. Todas as quatro grandes equipes da capital fluminense devem começar a temporada com o nome de patrocinadores estampados no peito. Isso não quer dizer, porém, que os cariocas estão com mais prestígio ou visibilidade no mercado.
O Flamengo é o caso que melhor representa os efeitos desta época de vacas magras. A parceria de mais de duas décadas com a Petrobrás passou por várias crises no último ano, com ameaças de ambos os lados de rompimento. Tudo porque o clube rubro-negro queria transformar os atuais R$ 16,2 milhões anuais no maior patrocínio brasileiro, algo em torno de R$ 26 milhões. Em razão do cenário econômico, terá de abaixar a cabeça e, em vez do um aumento, vai concordar com uma redução no acordo.
O presidente do clube, Márcio Braga, não divulga valores por causa ''de uma cláusula de confidencialidade'' que protege a negociação, mas admite que os valores serão menores que os atuais. Especula-se que girem em torno de R$ 14 milhões por ano. ''A Petrobrás cortou 20% de todos os seus patrocínios por conta da crise. Infelizmente tivemos que nos adaptar'', lamentou Braga, que garante que o novo contrato está perto de ser fechado e deve ser assinado antes do fim do presente compromisso, em 26 de janeiro.
A exceção à regra, ironicamente, é o Vasco. No ano em que disputará a Série B pela primeira vez, o clube comemora os melhores contratos de sua história. Mas a bonança tem a ver também com os péssimos acordos selados durante longa gestão de Eurico Miranda. A construtora MRV, parceira no ano passado, pagava ao clube apenas R$ 350 mil por ano, segundo Luís Américo, diretor jurídico do Vasco. ''Parece piada de padaria, mas esses são os contratos do Eurico Miranda''. Agora, a Eletrobrás estampará sua marca na camisa cruzmaltina por R$ 14 milhões anuais pelos próximos quatro anos.
O Fluminense mantém o duradouro casamento com a Unimed, que funciona mais com um grande investidor do que como um patrocinador, diretamente injetando dinheiro na contratação de jogadores e, por isso, os valores não são divulgados; não há um montante fixo.
O Botafogo, por sua vez, continuará com a Liquigás a colorir seu uniforme alvinegro. O patrocínio rende ao clube algo próximo a R$ 8 milhões anuais. (A.E.)

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