Clubes cariocas apostam em raspadinha contra crise
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2009
Ítalo Nogueira e Sérgio Rangel<br>Folhapress 
Rio - Após o fracasso da Timemania, os quatro grandes do Rio (Flamengo, Vasco, Botafogo e Vasco) apostaram numa nova loteria na tentativa de amenizar o caos financeiro. Em crise, eles lançaram um produto com a Loterj e a Hebara (operadora de raspadinhas do Estado).
Desde 10 de julho, quando foi lançada, a raspadinha com o símbolo dos times arrecadou R$ 10 milhões. Os clubes recebem 5% das vendas dos talões com seus respectivos escudos.
O Flamengo é o time que mais vendeu até o momento, representando 39% da arrecadação total (R$ 3,9 milhões). Com a venda em um mês e meio, o clube já tem direito a R$ 194 mil - o que representa média de R$ 129 mil por mês.
O valor é maior do que o repassado para o rubro-negro carioca pela Timemania, loteria criada pelo Governo federal em 2008 para tentar, sem sucesso, zerar a dívida dos clubes.
Na Timemania, a maior parte do valor mensal que um clube tem direito vai diretamente para um fundo para pagamento de dívidas. Com esse formato, pouco acaba efetivamente chegando aos cofres dos times. O Vasco está em segundo no ranking da raspadinha, com R$ 119 mil. Botafogo e Fluminense receberam, respectivamente, R$ 95,7 mil e R$ 93 mil.
Esse produto foi importante também para mostrar a fidelidade do nosso torcedor. Acaba substituindo a Timemania, que deu muito menos que todos pensavam. Nosso planejamento era arrecadar dez vezes mais, disse o presidente do Vasco, Roberto Dinamite. O clube acumula cerca de R$ 300 milhões de dívidas, valor semelhante ao do Flamengo.
Queremos rediscutir o mais rápido possível a Timemania. Além da arrecadação estar desapontando, a divulgação é muito ruim. Poucas pessoas sabem jogar. Sou favorável até à criação de outra loteria, acrescentou Dinamite.
Por contrato, a Hebara tem que gastar 10% do valor total dos bilhetes emitidos em marketing do produto. A Loterj fica com 8% do valor das emissões.
Os 21 clubes com maior receita do país devem R$ 3,248 bilhões.


