São Paulo - Ser torcedor fiel de um time se tornou bom negócio dentro e fora dos estádios. Frequentadores habituais dos jogos de seus clubes têm vantagens como preferência na compra dos ingressos, que em muitas situações podem ser adquiridos com desconto. E mesmo quem não tem o hábito ou não pode acompanhar o time "in loco" tem benefícios. Dispõe, por exemplo, de descontos no preço de centenas de produtos e de vários serviços.
Para isso, é preciso fidelidade, estar ligado ao clube por meio de um plano de sócio-torcedor. Tais programas já existem há alguns anos no País e atualmente são adotados pelos principais clubes. Têm passado por mudanças constantes, dentro de um processo de aperfeiçoamento, e em janeiro deste ano ganharam um significativo empurrão: o lançamento do Movimento por um Futebol Melhor, que agregou benefícios aos projetos tocados pelos clubes.
Com a criação do movimento, os participantes dos programas de sócio-torcedor passaram a ter descontos em alimentos, bebidas, produtos de higiene e material esportivo, além de serviços de entretenimento, telefonia e bancários, entre outros. Atualmente, são mais de 650 produtos integrantes da "cesta".
O incentivo extra, o trabalho dos clubes e a propaganda feita pela empresa criadora do movimento tiveram como consequência um crescimento rápido do número de torcedores e de clubes associados. Em janeiro, as agremiações brasileiras tinham, no total, cerca de 372 mil sócios-torcedores (as 15 que aderiram ao movimento no momento inicial somavam 158 mil filiados). Em 1º de outubro, o programa, já com 32 clubes associados, atingiu 600 mil sócios. "Nossa meta é chegar a 1 milhão até o fim do ano", disse Marcel Marcondes, diretor de marketing da Ambev, a idealizadora do Movimento por um Futebol Melhor, responsável por buscar parcerias com empresas.
O líder do ranking é o Internacional, um dos primeiros clubes a implantar o sócio-torcedor no País, que supera os 105 mil filiados. No site www.futebolmelhor.com.br é possível acompanhar o balanço de filiados de todas as agremiações, os produtos e os pontos de vendas participantes da promoção, além de ter acesso aos programas de todos os clubes inscritos.
Os clubes não têm nenhum tipo de despesa com o movimento e ficam com a receita total de seus programas. "Tudo o que arrecadam é deles. Nosso objetivo como empresa é institucional e, como estamos ligados há décadas ao futebol, decidimos criar um mecanismo que garanta uma receita boa e segura ao clube", explica Rafael Pulcinelli, também da diretoria de marketing da Ambev. "Isso pode permitir a eles, por exemplo, montar boas equipes, ter sucesso no campo e atrair cada vez mais torcedores."
Até agora, de acordo com cálculos dos responsáveis pelo projeto, o Movimento por um Futebol Melhor já rendeu ao conjunto dos clubes uma receita extra de R$ 80 milhões.
Os clubes têm os mais variados tipos de programa, a preços que variam entre R$ 9,99 (o mais barato dos planos do Avanti, do Palmeiras, por exemplo) e R$ 600 mensais. "O torcedor se filia de acordo com o seu perfil. Quem mora na Paraíba e torce para o Palmeiras quase não irá ao estádio, mas pode adquirir um plano simples, ajudar o clube e ainda ter descontos em produtos", diz Marcondes.

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