Clubes apostam em ações de marketing
A paixão e o aumento do interesse dos torcedores brasileiros, claro, já chamaram a atenção dos dirigentes dos clubes europeus. Tanto é que alguns deles vêm investindo pesado em ações de marketing para angariar cada vez mais torcedores e admiradores de seus clubes. Desde colônias de férias que podem custar R$ 2.500,00 por duas semanas às vendas de materiais oficiais.
Para o jornalista Décio Lopes, produtor e apresentador do programa ''Expresso da Bola'', do canal SporTV, que já esteve em mais de 60 países pelo mundo, e conhece de perto as estruturas dos grandes europeus, a diferença está no modo como eles veem o torcedor.
''Os clubes europeus são empresas internacionais de entretenimento, que planejam avançar os seus mercados por todo o planeta. O brasileiro, embora apaixonado por seus próprios clubes e craques, também acaba participando disso'', analisa.
Segundo Lopes, o alto número de jogadores brasileiros atuando naquele continente também contribui diretamente para o crescimento da ''torcida europeia'' no Brasil. ''A presença de jogadores brasileiros em quase todos os grandes europeus ajuda bastante, cria identificação. Mas a maior arma desta ofensiva é mesmo a Champions League. E agora com a transmissão da competição em canal aberto, a tendência é crescer em influência ainda mais'', completou.
Além da transmissão de jogos dos campeonatos internacionais e das ações de marketing implementadas pelos clubes europeus, outros fatores interferiram diretamente na escolha de alguns amantes do futebol por clubes do futebol europeu como seus clubes do coração: o amadorismo dos dirigentes e a desorganização dos clubes nacionais.
''As estruturas, em geral, a organização e o profissionalismo dos dirigentes, o respeito com a torcida, são exemplos para o Brasil'', disse o torcedor da Inter. ''O investimento também é maior, num continente mais desenvolvido, mas o Brasil está melhorando também'', completou Gabriel.
Para Décio, os times locais já mostraram uma boa evolução nos últimos anos, muito em função dos exemplos vistos na Europa. ''O futebol brasileiro vem melhorando bastante nos últimos anos. Basta lembrarmos de dirigentes e hábitos de uma década atrás, era simplesmente ridículo. Casos de sucesso, como o do São Paulo, fizeram todos abrirem os olhos. É profissionalizar ou morrer'', explicou.
''O que há de bom por lá deve ser aproveitado por aqui, sim. Sem nos esquecermos claro, em momento algum, de que nós fazemos o melhor futebol do mundo'', finalizou o jornalista. (R.S.)





