Clubes afirmam que não receberam
Clubes e entidades esportivas de Londrina não receberam a totalidade de recursos que a Prefeitura declarou ter-lhes destinado, durante os anos de 1998 e 1999. Representantes do Londrina Esporte Clube (LEC), da Liga Londrinense de Futebol de Salão e da Associação Portuguesa Londrinense depuseram ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada pela Câmara Municipal para investigar possíveis irregularidades no repasse das verbas e confirmaram que as informações transmitidas não condizem com a realidade.
Durante depoimento ontem à tarde, o gerente financeiro do LEC, Paulo César Chaves, informou não ter conhecimento de três cheques emitidos pela Prefeitura em nome de clube, no dia 4 de junho de 1999, totalizando R$ 60,9 mil. Os cheques, nominais ao Londrina, constavam de um relatório entregue à CEI discriminando repasses feitos para os clubes desde 1996. Não recebemos recursos da Prefeitura desde janeiro do ano passado, disse.
O presidente da Liga de Futebol Amador de Londrina, Elezer Nantes da Silva, também informou aos vereadores não ter recebido os R$ 171,8 mil que a Prefeitura declarou ter disponibilizado à entidade através de nove cheques. Segundo ele, não foram recebidos cinco destes cheques, no valor total de R$ 103,9 mil.
A Associação Portuguesa Londrinense não ficou com os R$ 40 mil que a prefeitura informou ter destinado ao clube. Amarildo Vieira Martins, presidente da associação, confirmou ter utilizado apenas dois cheques de R$ 10 mil. Um terceiro cheque, de R$ 20 mil, foi recebido, depositado em conta e devolvido à Prefeitura através de um cheque da Portuguesa, para realização dos Jogos da Juventude de 1999.
Entre outros depoimentos, A CEI ouviu Paulo Vicente Viana, ex-assessor especial de esporte da Prefeitura e responsável pelo repasse de dinheiro aos clubes. Ele afirmou que transações como a realizada com a Portuguesa foram necessárias porque, após a extinção da Ametur, não havia outro órgão para distribuir os recursos.
O Grêmio Recreativo e Literário Londrinense, do qual Viana era coordenador de esportes, também teria sido utilizado para a função. O ex-assessor declarou que ele próprio era responsável por levar cheques nominais ao Grêmio para a diretoria da associação endossar, antes de serem devolvidos ao poder público. De acordo com a prestação de contas da prefeitura, o clube recebeu R$ 1,3 milhões, entre 1997 e 2000.
Em seu depoimento, Viana disse ser apenas o intermediário do serviço, mas que o responsável pelo destino do dinheiro era o secretário de Governo, Gino Azolini. Também confirmou que as entidades beneficiadas não prestavam contas sobre a utilização dos recursos, pois não havia convênios.
Ele admitiu ter depositado cheques nominais ao Grêmio em sua conta pessoal, argumentando que o clube estava com as contas bloqueadas. Os cheques, no valor total de R$ 99 mil, teriam sido repassados para o Festival de Música de Londrina e equipe de basquete da cidade.
O vereador Salvador Francisco (PSB), presidente da CEI, não descartou a hipótese de convocar o ex-secretário Gino Azolini para depôr à comissão. Hoje às 9 horas, Paulo Vicente Viana presta esclarecimentos ao Ministério Público sobre as possíveis irregularidades.





