Clubes abrem fogo contra COB por verba da Lei Agnelo/Piva
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Valéria Zukeran<br> Agência Estado 
São Paulo - Em um evento concorrido, que contou com a presença de vários dos principais dirigentes de clubes do Brasil inclusive parte significativa dos grandes times de futebol do eixo Rio-São Paulo , além de atletas e representantes do Ministério do Esporte, foi fundado, na noite de terça-feira, o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), filiado à Confederação Brasileira de Clubes (CBC). O grupo promete brigar com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não só por verbas provenientes da Lei Agnelo/Piva como também por uma atitude mais respeitosa por parte da entidade.
O principal objetivo do grupo é obter para os clubes parte das verbas da Lei Agnelo/Piva, que determina o repasse de 2% da arrecadação bruta das loterias para o esporte. Os clubes alegam que hoje não recebem um centavo para formar e manter seus atletas olímpicos o dinheiro fica nas mãos do COB e das confederações esportivas. Queremos mais transparência na divulgação dos gastos. Informações que chegam até nós dão conta de que hoje de 50% a 56% da verba da Lei Piva é utilizada para manutenção da parte administrativa do COB e das confederações. É muito, disse o presidente do Minas e do Confao, Sérgio Bruno Coelho.
A briga do Confao, no entanto, não é apenas por verbas. Os integrantes do conselho deixam bem claro que não vão admitir atitudes consideradas desrespeitosas da parte do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. Ele teve a ousadia de dizer que não acredita em clube formador de atleta, queixou-se o presidente do Flamengo, Márcio Braga, lembrando da conversa que teve com o mandatário do COB para falar da crise na ginástica artística e do fato que 77% dos atletas que foram aos Jogos de Pequim eram vinculados a clubes.
Os dirigentes fizeram coro para reclamar que o COB os ignora no credenciamento de grandes eventos, como pan-americanos e olimpíadas.
Nuzman não comentou as declarações de Braga. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o COB informou que os dados sobre o uso do dinheiro da Lei Piva estão disponíveis por iniciativa da entidade, que é monitorada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Corregedoria Geral da União (CGU).
A prestação de contas de 2008 não foi divulgada, mas a de 2007 informa que o COB gastou R$ 22.955.717,40 dos R$ 84.956.905 na administração, enquanto as confederações gastaram, em média, 10,8% de suas verbas com a área administrativa.


