Clube perdeu 'Andradão' para município
O Estádio João Hermógenes de Andrade, também conhecido por ''Andradão'', foi transferido à Prefeitura, no período entre 1977 e 1980, por determinação dos herdeiros da área cedida ao Andiraense. ''Na realidade, o Andiraense podia requerer o usucapião, a posse, pelo uso de 30 anos'', afirma Dutra. Mas não o fez e, escriturado o imóvel em nome da Prefeitura, o clube ''passou a depender do poder público. Por discórdia política, o time chegou a ser barrado no estádio, não podia jogar lá''.
Ao ser fundado em 31 de julho de 1950, o Andiraense já usava a área, faz supor relatos no livro ''Andirá no cinquentenário de seu Rotary Club'', edição coordenada por João Adirson Ramos. ''Inicialmente, o Estádio João Hermógenes de Andrade pertencia ao E.C.A. Porém, acreditamos que tenha sido necessária a sua municipalização, possibilitando assim o emprego de verbas públicas'' em sua manutenção, segundo o histórico. ''Consta que foi na administração do prefeito Hermas Eurides Brandão, inclusive por exigência da família Castilho, a quem as terras pertenciam. Para a sua legalização oficial, deveria ser doado para a municipalidade, o que todos acharam correto.''
O estádio foi construído na década de 50, com a participação do município e mais tarde denominado João Hermógenes de Andrade, o primeiro presidente do clube e também vereador. ''A terraplenagem foi comandada pelo saudoso Basílio Kolotelo.''
Outros integrantes da primeira diretoria do Andiraense: Antônio Joaquim Vasconcelos e Erasmo Canhoto (vice-presidentes), Mauro Cardoso de Oliveira e Walter Padeigis (secretários), Pedro Picelli e Tadeu Rybzinski (tesoureiros), Antônio Abib e João Braga Xavier (diretores esportivos). Presidente de honra, Moacyr Corrêa, então prefeito.
''Naquele tempo não tinha TV, famílias inteiras iam para o campo, era casa cheia'', relata o advogado Osvaldo Corrêa de Moraes, rememorando o seu tempo de quarto zagueiro e eventual volante no Andiraense, nas décadas de 50 e 60. Quando ingressou no time, o campo ainda era desprovido de alambrado e ao final da partida, o prefeito e outras autoridades coletavam dinheiro entre o público, para dar ''o bicho'' aos jogadores.
Um dos coautores do capítulo sobre o esporte, Moraes recorda que era garoto quando sua família chegou a Andirá, onde ele se casou e nasceram os filhos. Parou de jogar futebol aos 33 anos e se formou pela Faculdade de Direito de Jacarezinho.
Em seu escritório, Moraes mantém uma rara flâmula e fotografias do Andiraense, entre as quais uma de titulares e reservas em 1955: Benato, Zé Seleti, Moraes (ele), Vicente, Dorico, Macário, Fuminho, Catarino, Carlão e Donir; Moacyr, Bodinho, Paraíba, Botuca, Nelsinho e Diamante. Técnico: Oscar Borges Negrão.
''Durante muitos anos o Esporte Clube Andiraense, com camisetas imitando as do São Paulo F. C., foi a grande atração de todos os domingos para a população'', segundo a história. ''Alguns atletas vinham de fora e, para facilitar a sua fixação na cidade e defender as cores do E.C.A, acabavam sendo admitidos como funcionários da Prefeitura.'' (W.S.)





