A cada noticiário esportivo que você assiste na tevê, lê no jornal ou escuta no rádio, fica conhecendo pelo menos um nome novo de time, que aparece com a mesma rapidez que some da boca do povo ou dos comentaristas de plantão. E desses novos times, a maioria faz parte da nova tendência do futebol brasileiro: os clubes-empresa.
Eles chegaram de mansinho e aos poucos estão conquistado o espaço, principalmente no interior. Empresários chegam a uma cidade em que não existe futebol ou aonde aquele clube tradicional não anda bem, mas se mantém em pé graças à teimosia de um ou outro abnegado, se instalam e abrem as portas como sendo a ''nova força'' do município ou então, para os mais ousados, do interior daquele estado.
São Paulo e Paraná são exemplos dessa nova realidade. Cada um deles vê as camisas mais tradicionais do interior sucumbirem diante do dinheiro dos empresários que montam seus clubes.
O Campeonato Paulista verá Guaratinguetá e a sensação Grêmio Barueri na Primeira Divisão. O primeiro é clube-empresa. Já o segundo, faz parte da mais nova vertente da administração esportiva - é uma Organização Não-Governamental (ONG). Ambos conseguiram o acesso junto com Rio Claro e Sertãozinho. Em compensação, Portuguesa de Desportos e Guarani, campeão brasileiro de 78, se aventurarão na Série A-2 do Paulistão.
No Paraná, a nômade Adap atropelou Atlético e Coritiba para ser vice-campeã estadual em 2006. Na Série C do Brasileirão o J. Malucelli fazia grande campanha até perder o treinador. Em compensação, o tradicional Londrina, tricampeão estadual, viu que sua camisa já não quer dizer grande coisa e não consegue enxergar a enorme distância que o separa tanto dentro como fora de campo dos emergentes do Estado.
Lei Pelé - A mudança na realidade brasileira começou em 1998, com a aprovação da Lei Pelé, a mesma que extinguiu os passes dos jogadores e que previa a mudança dos clubes tradicionais para o sistema empresarial, com fins lucrativos. Ela foi sofrendo alterações, mas nada impediu que os clubes-empresa começaram a brotar. No entanto, desde então, surgiu a dúvida: qual é a melhor opção, ser um clube-empresa ou uma associação sem fins lucrativos?
''Não compensa abrir um clube-empresa. Os fatos estão aí para mostrar que eles não duram muito. Do mesmo jeito que aparecem rápido somem rápido. O tocedor pensa duas vezes em ir ao estádio e pagar um ingresso porque ele sabe que o dinheiro vai para o bolso de uma pessoa e não para aquela instituição que ele participa. A Adap do ano passado é um exemplo disso. Foi vice-campeã, mas não conseguiu se firmar em Campo Mourão'', apontou Hélio Camargo, advogado especializado em direito esportivo e diretor-jurídico da Portuguesa Londrinense. ''O futebol uruguaio está falido porque perdeu a identidade. Está nas mãos de dois ou três empresários'', continuou.
Camargo encabeçou o retorno da Portuguesa ao futebol profissional na década passada e confessou que pendeu para o lado do clube-empresa. ''O grande problema é quando depende do poder público. Ficam barradas algumas ações do município. Para podermos manter o CT da Vila Santa Terezinha conosco, optamos pela associação tradicional, sem fins lucrativos'', contou.
O Bahia, campeão brasileiro de 1988, é um exemplo clássico de transformação que não deu certo. Ao menos por enquanto. Em fevereiro de 98, o clube se uniu ao banco de investimentos Opportunty e virou Esporte Clube Bahia S/A. Porém, de lá para cá, o time acumulou fracassos e hoje, assim como o Londrina, não tem vaga garantida nem na Série C do Brasileiro. O rival Vitória também virou S/A e seguiu o mesmo rumo. No ano passado, porém, conseguiu retornar à Série B.
Mas nem todos os cartolas pensam assim. ''Acredito que de seis a oito anos, quem não tiver uma estrutura de futebol-empresa não sobrevive no mercado'', apontou Irno Piccinin, um dos donos do Toledo Colônia Work.

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