São Paulo, 21 (AE) - O Clube dos 13 vendeu o Campeonato Brasileiro à TV Globo por US$ 70 milhões e seus dirigentes foram comemorar como se tivessem fechado un negócio do outro mundo. Quando fizeram a partilha do dinheiro, perceberam que não havia motivo para tanta festa. Em média, cada clube receberá US$ 2,3 milhões pelos direitos de transmissão de 134 dos 231 jogos da primeira fase.
A divisão da bolada obedeceu a critérios de audiência que cada time pode render. Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio e Inter receberão US$ 2,35 milhões cada um. Sport e Coritiba, US$ 1,4 milhão.
Fluminense, Bahia e Goiás, alijados da Série A (Primeira Divisão), também receberam uma cota como associados do Clube dos 13. O Fluminense, na Série C (Terceira Divisão), terá direito a US$ 1 milhão. O Bahia, na Série B, também faturou US$ 1 milhão. E o Goiás, outro da B, levou US$ 700 mil.
Gama, Botafogo (SP) e Ponte Preta entraram no pacote da Globo, mas a rede de televisão e os dirigentes não revelaram a cota que os três receberam. Portuguesa, Vitória, Juventude, Atlético Paranaense, Guarani e Paraná, que não pertencem ao Clube dos 13, fecharam em 97 um acordo com a ESPN/Brasil em algo próximo de US$ 11 milhões por três anos.
O contrato de US$ 70 milhões da Globo com o Clube dos 13, motivo de orgulho dos dirigentes, não passa de uma ninharia se comparada aos negócios entre clubes e televisão no futebol europeu. Na Itália, por exemplo, os times receberão US$ 500 milhões com a venda do Campeonato Italiano de 99/2000.
Na Europa, um banho - Na Copa dos Campeões da Europa, a dança dos milhões é de humilhar. A competição do próximo ano foi vendida por US$ 532 milhões e o clube campeão embolsará US$ 20,7 milhões.
Não é necessário atravessar o Atlântico para se perceber que o Campeonato Brasileiro não renderá um bom dinheiro aos clubes. Basta examinar os números do último Campeonato Paulista e da próxima Copa Mercosul. Campeão paulista em junho, o Corinthians recebeu pouco mais de R$ 10 milhões (US$ 5,5 milhões) entre prêmios e cotas da Federação. E a Mercosul promete US$ 4 milhões ao campeão.
Outro problema de sangria de dinheiro dos clubes no Campeonato Brasileiro vem da CBF. O Artigo 17 do regulamento da competição obriga um desconto de 5% da renda bruta de cada jogo, que serão destinados ao "fundo de premiação e fundo de ajuda à Série C". Isto é, os times da Série A doarão parte de suas rendas aos clubes da Terceira Divisão (Série C), que abriga, entre outros, o Fluminense do Rio.

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