Preocupados com os altos salários e as regalias dos jogadores de futebol, os dirigentes do Clube dos 13 decidiram radicalizar. Em reunião realizada na última sexta-feira, eles fizeram um pacto e definiram que qualquer atleta que entrar na Justiça comum exigindo o passe livre não será mais contratado por nenhuma equipe que fizer parte da entidade.
A medida visa proteger os clubes, que vêm tendo problemas com renovações de contratos. Os casos que chamam mais atenção na atualidade são os de Reidner, do Botafogo, e do volante Rogério, do Palmeiras. Ele não fez acordo com a diretoria do Alviverde e decidiu entrar na Justiça para tentar obter seu passe.
Qualquer jogador que tomar a atitude de Rogério, por exemplo, não poderá atuar em equipes como Corinthians, São Paulo, Flamengo, Botafogo, Sport, Santos, Grêmio, Inter, Atlético, Cruzeiro e Sport, se os clubes seguirem à risca o que acertaram no último encontro.
‘‘Se o jogador entrar na Justiça comum pedindo o passe não será mais contratado por qualquer equipe do Clube dos 13’’, confirmou Paulo Amaral, presidente do São Paulo e do comitê executivo da Copa João Havelange. ‘‘Nosso objetivo é proteger os clubes, que estão vulneráveis.’’ A decisão de adotar a nova estratégia de colocar os jogadores ‘contra a parede’ foi unânime.
Com a medida, os atletas serão obrigados a exigir menos no momento da renovação do contrato, caso queiram permanecer num grande time, e não poderão mais lutar pelo passe, porque o único meio para consegui-lo é por meio da Justiça comum ou trabalhista. A Justiça desportiva não tem poder para julgar esse tipo de caso.
Segundo o advogado do Clube dos 13, Álvaro Melo Filho, o Sindicado dos Atletas não terá como recorrer ou fazer qualquer manifestação contra a decisão tomada pela entidade. ‘‘O Sindicato dos Atletas não têm o que fazer para impedir que isso aconteça, porque o que foi decidido apenas faz parte de um princípio constitucional de liberdade contratual’’, explicou Melo Filho.

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