Marcos Freitas
De Curitiba
O Restaurante Madalosso, no bairro gastronômico de Santa Felicidade, em Curitiba, recebe hoje cerca de cinco mil pessoas para um jantar em homenagem aos 90 anos do Coritiba. O clube, fundado por alemães e italianos, chega ao ano 2000 como o que mais conquistou títulos estaduais – foram 30, contando com o deste ano – e o único nacional, em 1985, diante do Bangu, no Maracanã.
Tudo começou com uma reunião entre amigos no dia 12 de Outubro de 1909, numa sala do antigo Teatro Hauer. Alguns jovens paranaenses que decidiram introduzir o jogo de futebol no Paraná fundaram o Coritibano Foot Ball Club, que logo depois, no mesmo local, após a aprovação dos estatutos, passou a se chamar Coritiba Foot Ball Club.
Quem trouxe a primeira bola – de couro – para Curitiba foi Frederico Essenfelder, o ‘‘Fritz’’, que tinha conhecido o esporte em uma viagem ao Rio Grande do Sul, onde já começavam a surgir os primeiros clubes criados exclusivamente para o futebol. Ao chegar em Curitiba, Essenfelder mostrou a novidade para alguns amigos do Clube Ginástico Teuto-Brasileiro, que mais tarde daria origem à Sociedade Duque de Caxias.
Como a maioria era descendente de alemães, surgia a idéia da criação de uma sociedade que abrigasse os amantes do novo esporte. Aqueles rapazes da aristocracia curitibana do começo do século nem imaginariam que daquela reunião sairia o grande campeão paranaense do século XX.
A primeira partida aconteceu no mesmo ano de 1909 contra alguns ingleses que construíam a estrada de ferro em Ponta Grossa e tinham uma equipe organizada de futebol. O jogo terminou em 1 x 1 e o Coritiba formou com alguns de seus fundadores: Artur Hauer; Alfredo Labsch, Leopoldo Obladen, Robert Juchsch, Carlos Schlender, Fritz Essenfelder, Carl Maschke, Waldemar Hauer, Rudolf Kastrup. Adolpho Mueller, Emílio Dietrich, Erothides Carberg e Arthur Iwersen.
As cores verde e branco foram escolhidas em homenagem à bandeira do Paraná. O primeiro símbolo era um globo branco com a sigla CFC no centro, em negro. Hoje, o símbolo é verde e branco e tem o nome completo do clube ao redor da sigla, que vem acompanhada por doze pinhões (sementes do pinheiro), representando o dia 12. O apelido coxa-branca, que impera até hoje, começou dentro do próprio clube, na década de 30. O Coritiba era um time onde só jogavam atletas de descendência alemã ou italiana. Por serem todos de pernas brancas, o apelido pegou.
Ao longo de sua história, o Coritiba conseguiu 30 títulos de campeão paranaense e 17 vice-campeonatos em 85 disputados. O primeiro título veio em 1916 e o artilheiro da equipe foi Maxambomba, que marcou 16 gols. O maior clássico estadual aconteceu pela primeira vez no dia 8 de junho de 1924. No primeiro Atletiba, o Coritiba goleou o Atlético por 6 a 3, com quatro gols de Ninho, um de Staco e um de Bebe. Em toda história do clássico aconteceram 300 jogos e o Coritiba leva a melhor até hoje com 115 vitórias, 21 a mais do que o rival.
Nos anos 70, o Coritiba conquistou o hexacampeonato (1971 a 1976), um feito inédito no futebol profissional do Paraná. O Britânia também foi hexa, mas naquele tempo o futebol ainda era amador. Em suas excursões pelo mundo afora, o título de Fita Azul Internacional também é destaque. A condecoração era concedida pelo jornal Gazeta Esportiva de São Paulo aos times que voltavam invictos de excursões pelo exterior. Em 1973, o Coritiba conquistou o Torneio do Povo, no qual se enfrentavam as equipes com maiores torcidas do Brasil.
A grande conquista foi em 1985, quando, em pleno Maracanã, diante de 100 mil espectadores, o Coritiba conquistou o título de Campeão Brasileiro. A campanha foi memorável e o time paranaense eliminou as maiores equipes do futebol nacional, como Cruzeiro, São Paulo, Flamengo, Santos, Corinthians e Atlético Mineiro. Em 1999, o jejum de nove anos sem títulos terminou com a conquista do 30º título estadual. Com o título, o Coritiba sagrou-se também o Campeão do Século no Paraná.
Dono de um belo estádio, que fica bem no centro da capital paranaense, o Alto da Glória é o principal palco das conquistas alviverdes. Sua torcida, reconhecidamente a maior do Paraná, é apaixonada pelo time e nunca o abandonou. Nem mesmo nos duros anos de jejum que o clube enfrentou, a massa coxa-branca titubeou em incentivar o time. Uma prova disso é a conquista do título estadual deste ano, num campeonato em que o Coritiba não era considerado a melhor e mesmo assim foi empurrado pela torcida.

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