Clodoaldo sai de Atenas com seis de ouro
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Agência Estado 
Atenas - A natação brasileira encerrou ontem a sua participação na Paraolimpíada de Atenas do mesmo modo que começou: com Clodoaldo Francisco da Silva erguendo os braços e comemorando no ponto mais alto do pódio.
Ontem, último dia de competições da natação e penúltimo dos Jogos, Clodoaldo abusou: levou o ouro nos 50 metros livre melhorando em quase um segundo o recorde mundial que já era seu e, duas horas depois, foi decisivo para que o Brasil conquistasse o ouro no revezamento 4x50 metros medley ele foi o último a cair na água e levou a medalha junto com Francisco de Assis Avelino, Adriano Gomes de Lima e Luiz Silva.
Com os resultados desta segunda-feira, Clodoaldo alcançou a impressionante marca de seis medalhas de ouro e uma de prata na Paraolimpíada de Atenas.
Ajudar a conquistar o ouro parecia ser a homenagem que ele queria fazer à equipe. Aos 25 anos, Clodoaldo Francisco da Silva, um jovem de Natal que usou a natação como forma de terapia ele sofreu paralisia cerebral ao nascer e praticamente não tem movimento nas pernas , é considerado um fenômeno da natação paraolímpica. ''Só de nadar ao lado dele já é uma vitória'' , disse Francisco Avelino, uma vítima da pólio aos nove meses de idade.
Assim que terminou a prova, Francisco Avelino chamou Luiz e Adriano para, juntos, darem um abraço no companheiro. ''Clodô é o mais sério e mais profissional atleta do paraolimpismo brasileiro. Tínhamos a certeza de que ele nos ajudaria muito na prova de hoje'', contou Francisco Avelino.
Humilde, Clodoaldo ouvia as palavras do técnico entre as perguntas dos repórteres que foram esperá-lo ao lado da piscina. Recuperado da emoção, ele foi rápido e objetivo quando teve de responder à inevitável pergunta de como fica o seu futuro e o do desporto paraolímpico no Brasil. ''Acabou a Paraolimpíada. Amanhã (Hoje), volto a ser o Clodoaldo de sempre.'' Clodoaldo Francisco da Silva mora num bairro afastado do centro de Natal e toma oito ônibus para poder ir treinar diariamente. Sobrevive com os pouco mais de R$ 4 mil da bolsa e da ajuda de custo que recebe do Comitê Paraolímpico Brasileiro como membro da equipe nacional e medalhista de ouro.
Com a vitória no revezamento 4 x 50 m medley, o Brasil chegou à marca de 13 ouros na Paraolimpíada grega. No total, o país soma 31 pódios, sendo mais 12 pratas e seis bronzes está na 15 colocação na classificação geral dos Jogos, sendo o melhor sul-americano.
Futebol O Brasil perdeu hoje para a Ucrânia por 4 a 1 na final do futebol de sete (para paralisados cerebrais). Volodymyr Kabanov (2), Renato Lima (contra) e Taras Dutko fizeram os gols da equipe européia. José Guimarães marcou o único gol brasileiro. Nas semifinais, os ucranianos venceram a Rússia por 4 a 1.
Na disputa do terceiro lugar, a Rússia, que ganhou ouro nos Jogos de Sydney-2000, derrotou a Argentina por 5 a 0. Aleksandr Glushonok, Andrey Kuvaev, Anton Kalachev e Ivan Potekhin (2) fizeram os gols.


