Porto Alegre - O céu amanheceu cinzento ontem para o Grêmio, em Porto Alegre. Depois de um empate surpreendente com o Atlético-PR no domingo, quando o time perdia por 3 a 1 até aos 44 minutos da segunda etapa, a equipe amargou uma segunda-feira silenciosa, reflexo do rebaixamento à Segunda Divisão. O Estádio Olímpico permaneceu vazio, já que o elenco principal recebeu folga após a partida.
Nem mesmo houve protestos de torcedores pela campanha que afastou o time da elite do futebol a três rodadas do fim do campeonato. O clima de resignação tomou conta do tricolor gaúcho. Não houve cobranças, nem agressões. A reapresentação do grupo está marcada para hoje à tarde.
A direção se preocupa agora com a sucessão do presidente Flávio Obino, marcada para 16 de dezembro. Por enquanto, não há sequer uma chapa inscrita para a disputa. A cautela tem explicação: quem administrar o Grêmio em 2005 terá de lidar com um déficit mensal de R$ 450 mil, uma dívida consolidada de R$ 95 milhões R$ 50 milhões dos quais vencem num prazo de dois anos e o desafio de encaminhar a volta do clube à Primeira Divisão.
Os problemas, porém, não terminam aí. As principais estrelas do grupo principal de jogadores não devem renovar seus contratos, incluindo os goleadores Pitbull (19 gols) e Christian (16). Ambos encaminham transferências para clubes europeus. Outros que devem deixar o clube: os zagueiros Baloy, Claudiomiro, Capone e Bilica e os meio campistas Cocito, Luciano Santos e Felipe Melo.
O técnico Cláudio Duarte foi contratado apenas para as últimas oito partidas do Brasileiro e também não deve iniciar a próxima temporada. De bom, apenas a afirmação do goleiro Márcio e do meia-atacante Anderson, de apenas 16 anos. ''O Grêmio é um grupo coeso, mas nessa hora a responsabilidade é toda do presidente'', afirmou Flávio Obino sobre o desfecho da agonia.''Não haverá caça às bruxas'', garantiu.

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